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ANPD manda Discord suspender transmissões ao vivo no Brasil

Reuters
ANPD manda Discord suspender transmissões ao vivo no Brasil
ANPD manda Discord suspender transmissões ao vivo no Brasil

BRASÍLIA, 12 Ago (Reuters) - A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou nesta quarta-feira de forma preventiva que a plataforma Discord suspenda a funcionalidade de transmissão ao vivo no Brasil em três dias úteis.

De acordo com o comunicado divulgado pelo órgão, as lives e outros recursos de compartilhamento de vídeo equivalentes "deverão permanecer suspensos até que a empresa comprove a adoção de medidas para proteger crianças e adolescentes".

A medida cautelar foi determinada pela Superintendência de Fiscalização (SFI) após "evidências robustas" de que a empresa não adotou medidas razoáveis para prevenir e mitigar riscos de acesso, exposição, recomendação ou facilitação de contato com conteúdos ou práticas que representem graves violações de direitos de crianças e adolescentes como indução, incitação, instigação ou auxílio à violência, à automutilação e ao suicídio, de acordo com o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, informou.

"Segundo a SFI, o Discord não está sendo bloqueado. O que a medida preventiva suspende é a funcionalidade ‘Go Live’, utilizada para transmissões ao vivo em servidores fechados. O objetivo é reduzir os riscos de danos graves ou de difícil reparação a que estão sendo expostas as crianças e adolescentes", ressaltou o comunicado.

Procurada por email, a plataforma não respondeu de imediato a pedido de comentário.

O caso envolvendo o aplicativo ganhou relevo na semana passada após a primeira-dama Janja da Silva ter defendido a derrubada "imediatamente" do Discord do Brasil ao citar o caso de uma menina de 13 anos que teria sido coagida por outros usuários a se suicidar durante uma transmissão ao vivo.

"Não posso aceitar ver uma menina de 13 anos se mutilar ao vivo na internet, no Discord, se enforcar e morrer. Não consigo admitir um país desse", afirmou Janja durante solenidade no Palácio do Planalto em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia sancionado lei que amplia a punição para quem pratica violência sexual contra crianças e adolescentes.

O procedimento envolvendo o Discord foi instaurado na semana passada e ocorreu, segundo o comunicado, após a agência ter recebido informações e representantes legais da empresa nos últimos dias. 

(Reportagem de Ricardo Brito; edição de Paula Arend Laier)

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