A Polícia Federal identificou dentro do Banco Master uma estrutura montada para produzir documentos falsos em série, usada para dar aparência de legitimidade a operações de crédito negociadas com o Banco de Brasília (BRB). Segundo o relatório da investigação, funcionários da instituição recorreram a ferramentas comuns de escritório e a programas desenvolvidos internamente para fabricar procurações, termos de consentimento e páginas de assinatura que nunca foram firmadas pelos clientes.
O procedimento começava com a extração de dados cadastrais dos sistemas internos do banco. Nome, CPF, data de nascimento e filiação de clientes eram reunidos em planilhas que alimentavam, pela função de mala direta do Microsoft Word, um modelo de procuração preenchido automaticamente. Um único lote, guardado em uma pasta batizada de "Demanda BRB-Tirreno 2700 amostras", gerou 2.700 documentos, dos quais cerca de 1.785 teriam chegado ao BRB. Outros lotes de 299 e 119 amostras seguiram o mesmo caminho.
A equipe de tecnologia desenvolveu aplicações em C# capazes de recortar apenas as páginas de assinatura de arquivos PDF originais, que depois eram acopladas a documentos novos. Os investigadores localizaram um arquivo compactado com 1.833 páginas isoladas de assinatura. A finalização era feita com certificados digitais corporativos: documentos que traziam datas de janeiro de 2025 no texto tinham registro criptográfico de assinatura apenas em junho do mesmo ano. Em mensagens internas, funcionários chegaram a orientar a exclusão de datas que denunciavam a manipulação e a atribuir inconsistências a "erro operacional".
As operações entre o Master e o BRB somam cerca de R$ 17 bilhões, e a apuração aponta problemas de autenticidade em cédulas de crédito bancário que alcançam R$ 12,2 bilhões. As cessões de crédito consignado tidas como fictícias e ligadas à consultoria Tirreno chegam a R$ 7,15 bilhões. O relatório menciona ainda o envio de um "kit" de documentos com assinatura digital ao proprietário do banco, em junho de 2025.



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