Uma mulher, identificada como Cátia, alega ter sofrido estupro no Carrefour do NorteShopping em Cachambi, zona Norte do Rio De Janeiro. O crime teria ocorrido em 16 de março de 2017. A empresa nega o crime.
Em matéria publicada pela Folha de São Paulo, a informação é de que Cátia teria sido pega furtando o supermercado. Ela diz que afirmou que iria devolver a comida e ligaria para a esposa para que levasse o dinheiro. Apesar disso, Cátia, que é negra, contou à companheira e à Justiça que em seguida foi vítima de tortura. Ela disse que foi levada para uma salinha onde quatro ou cinco homens a teriam espancado por cerca de 30 minutos. Além disso, eles também teriam inserido o cabo de uma escova de banho em seu ânus.
Cátia foi pega furtando por volta das 20h no supermercado, de acordo com o boletim de ocorrência. Foi atendida por um médico às 22h35 no Hospital Municipal Salgado Filho, depois de estar sentindo dor na 23ª delegacia de polícia. A esposa afirma que nos primeiros dias após o ocorrido Cátia apresentou febre alta e infecção fora e por dentro do ânus. Foi ao médico algumas vezes para drenar o pus, diz; ficou duas semanas de fralda e dois meses sem conseguir sentar direito.
A audiência de custódia, no dia seguinte à suposta tortura, foi descrita pela juíza Cristiana Cordeiro nas redes sociais, trazendo o caso à tona, depois que João Alberto Freitas foi espancado e morto por vigilantes de um Carrefour em Porto Alegre, em 19 de novembro. A juíza contou que se lembrava de uma presa em flagrante que chegou na sala do Tribunal de Justiça abalada, com hematomas nos braços e usando fralda. Ela sentava de lado na cadeira, chorava e só disse o que havia acontecido depois que a juíza se aproximou e permitiu que sua companheira entrasse, num procedimento pouco usual.
Cátia foi solta naquele dia, já que seu delito não incluiu violência ou ameaça, e foi absolvida sumariamente um mês depois. Mas o Ministério Público recorreu, e em 2019 a Justiça mandou que se julgasse de novo, o que ainda não aconteceu.

