Manaus/AM - O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) negou o pedido de liberdade a três advogados suspeitos de atuar como integrantes jurídico-operacionais da facção criminosa Comando Vermelho (CV) no Amazonas. Janai de S., Gerdeson Z. e Ramyde W. haviam solicitado habeas corpus alegando violação de prerrogativas profissionais durante a operação Xeque-mate, realizada pela Polícia Federal na semana passada em Manaus, mas não convenceram a Justiça.
A decisão foi proferida pelo juiz federal convocado Antonio Claudio Macedo da Silva, que destacou a ausência de requisitos legais para a concessão da liminar. Segundo o magistrado, a prisão preventiva se justifica diante de fortes indícios de que os advogados utilizaram suas prerrogativas para facilitar a comunicação entre presos e integrantes do CV em liberdade, além de movimentar recursos e auxiliar na entrada de drogas nos presídios, ações que colocam em risco a ordem pública.
As investigações apontam que Janai teria criado e administrado grupos de WhatsApp para repassar relatórios internos da facção e transmitir decisões, incluindo trégua entre CV e PCC. Gerdeson recebia orientações de líderes da facção e repassava informações entre presos, enquanto Ramyde se envolvia na tentativa de envio de drogas a detentos e movimentação financeira ligada à organização. O TRF-1 também rejeitou pedidos de prisão domiciliar, mesmo com alegações de cuidado de filhos menores e questões de saúde.
O tribunal considerou ainda que não houve irregularidade na atuação da Polícia Federal. A decisão destaca que as medidas adotadas estavam dentro da legalidade e eram necessárias para garantir a segurança das operações e a efetividade da investigação. Com isso, a prisão preventiva dos três advogados permanece, e a Justiça seguirá acompanhando os desdobramentos da operação Xeque-mate no Amazonas.

