Manaus/AM - Alex Silva da Silva, 23, Gelvane Brito da Silva, 30, Gibson dos Santos Silva, 24, e Márcio Cley Melo de Carvalho, que se passavam por delegados, advogados e pelo diretor-presidente do Detran do Amazonas, Rodrigo de Sá, foram presos no Amapá, nessa quinta-feira (15).
Segundo a Polícia Civil, os acusados assumiam falsas identidades para aplicar golpes em vendas de veículos. O que chama a atenção é que os envolvidos são presidiários e executavam tudo de dentro da penitenciária.
“Os presos que foram identificados atuavam dentro da área do seguro, que é uma área destinada aos presos que correm risco de vida. Todos eles estavam respondendo por estupro de vulnerável. A idade deles variava entre 22 e 26 anos, e eles tinham acesso a um telefone e vários chips com diversos DDDs”, explica o delegado Antônio Rondon.
Eles fizeram vítimas em vários estados como no Amazonas, Rio Grande do Sul, Rondônia, Mato Grosso do Sul e outros estados do país. Uma das vítimas chegou a entregar R$ 70 mil pela suposta compra de duas Hilux.
As vítimas eram atraídas principalmente pelos preços abaixo do mercado, uma vez que os criminosos afirmavam que os veículos eram frutos de apreensão do Detran.
Conforme o delegado Antônio Rondon, as investigações iniciaram em agosto de 2023 para apurar a atuação do grupo criminoso que se passava por delegados. Os suspeitos chegaram a usar a foto do delegado-geral adjunto da PC-AM, Guilherme Torres, em uma rede social.
O perfil utilizava o nome “Davi Alencar” e oferecia veículos por meio de leilão.
No decorrer das negociações, as vítimas achavam que estavam tratando com os delegados e acabavam fazendo o pagamento pelo suposto automóvel, mas na verdade estavam caindo em um golpe.
A investigação iniciou com o registro
adjunto, Guilherme Torres. A partir daí, foram feitas interceptações telefônicas que constataram que os executores do golpe já estavam presos no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá.
O delegado Antônio Rondon destaca ainda que familiares dos detentos também tinham envolvimento no esquema. Eles cediam as chaves PIX para que os mesmos recebessem os pagamentos das vítimas, por isso, eles também serão indiciados.
Rodrigo de Sá, alerta sobre os riscos de negociar veículos que estão com preços muito abaixo do mercado. “Essas vítimas, infelizmente no afã de obter vantagens, quiseram desviar o caminho apropriado para adquirir um veículo e acabaram sendo enganadas e tendo um prejuízo financeiro significativo (...) Uma Hilux não custa R$ 35 mil, e não adianta depois cobrar, querer o retorno financeiro porque não vão conseguir”.
O delegado Guilherme Torres também ressaltou os perigos e orientou a população a sempre que for negociar algo pela internet, que peça para fazer uma chamada de vídeo com o vendedor que se apresenta na foto de perfil do contato. Caso ele se negue, há grandes riscos de se tratar de um golpe.

