O Comando Vermelho passou a cobrar mensalidades e exigir cadastro de garimpeiros que atuam em balsas e escariantes na região de Alta Floresta (MT), segundo mensagens obtidas pela Agência Brasil. Desde outubro, trabalhadores do garimpo ilegal são obrigados a pagar taxas entre os dias 1º e 8 de cada mês, sob ameaça de ter máquinas roubadas, queimadas ou até de perder a vida caso descumpram as regras impostas pela facção.
A expansão do crime organizado na Amazônia foi detalhada em estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na COP30. A pesquisa mostra que facções já atuam em 344 dos 772 municípios da Amazônia Legal — um aumento de 32% em relação ao ano anterior. O CV e o PCC seguem como os grupos mais influentes, controlando rotas fluviais, aéreas clandestinas, garimpos ilegais e disputando territórios do tráfico de drogas.
O levantamento identificou 17 facções operando na região, incluindo grupos locais e organizações estrangeiras, como o Tren de Aragua. O domínio dessas organizações se reflete nos índices de violência: em 2024, a Amazônia Legal registrou 8.047 mortes violentas intencionais, taxa 31% maior que a média nacional. Estados como Amapá e Maranhão concentram alguns dos piores indicadores.
A pesquisa também alerta para o aumento dos assassinatos de mulheres, com 586 vítimas registradas em 2024. Especialistas afirmam que a combinação entre isolamento geográfico, ausência do Estado e avanço do narcotráfico exige políticas públicas específicas para proteção das populações locais, incluindo mulheres, indígenas e moradores de áreas rurais.


