Essa é apenas uma das dificuldades não só para a justiça mas para qualquer outra atividade no interior do Amazonas, que precise ser efetuada por meio de barcos. Com a maior estiagem já registrada em toda a história do Estado, os rios secaram e em algumas regiões os igarapés, afluentes e até mesmo rios viraram pequenos espelhos de água, uma dificuldade intransponível mesmo para quem tem a maior boa vontade.
Só a partir da segunda quinzena de novembro é que os rios voltaram a encher, mesmo assim, ainda pode causar problemas para os mais experientes comandantes de barcos da região. E foi o que aconteceu com o barco do juiz Aldemiro Dantas. Acostumado a passar naquela "via" por tantas vezes, o timoneiro foi supreendido por um banco de areia e barco ficou encalhado. Só com muito esforço e ajuda de outro barco que apareceu foi que conseguiram tirar o barco e assim chegar ao destino traçado inicialmente.
Este é mais um caso típico da prática da Justiça Itinerante do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região, não apenas durante a Semana Nacional de Conciliação, mas durante todo o ano de acordo com um calendário pré-estabelecido por cada uma das 10 Varas do Trabalho do interior e três Varas do Trabalho em Roraima. Sua implantação no Regional mudou o paradigma da prestação jurisdicional no interior. Antes dela, o juiz esperava o cidadão procurar a Justiça. Com a itinerância, os juízes descolam-se o ano inteiro para atender seus jurisdicionados onde quer que ele esteja. No Amazonas, os 62 municípios são atendidos pelas dez VT que têm como sede Parintins, Manacapuru, Itacoatiara, Presidente Figueiredo, Coari, Tefé, Tabatinga, Humaitá, Lábrea e Eirunupé, além das Varas do Trabalho de Boa Vista , que também atendem o interior do Estado de Roraima. As equipes são compostas de um juiz e servidores do Regional.
Eliminar obstáculos tem sido uma constante na vida dos juízes do Trabalho que atendem as populações ribeirinhas da região amazônica .

