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Primeiras Palavras

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Por Ana Celia Ossame
05/04/2026 04h01 — em Ombudsman

Estimular o leitor a compartilhar opinião ou buscar esclarecimento sobre o que foi publicado é um exercício importante quando se tem claro o papel do jornalismo.

O direito à informação pode parecer banalizado na atualidade, por conta da infinita quantidade de blogs e portais de redes sociais, além da mídia impressa que ainda sobrevive, colocando-se como porta-voz dos leitores, espectadores e ouvintes.

É tanta informação ou desinformação, em tantos formatos que a sensação experimentada é de que os interesses e necessidades de informação, como bem e interesse público, estão atendidos, cumpridos sem discussão ou contestação.

Notícia dada é aceita, em algum nível, especialmente se distribuída por canais “recomendados” por grupos empresariais e políticos com maior influência e seguidores. Há exceções, casos que vão para a justiça, mas, muitas vezes quando causam estragos, é impossível juntar o leite derramado, mesmo com a condenação dos responsáveis.

Existe um caminho diferenciado, que é o de oferecer pluralidade das ideias de pensamento e oportunidade de manifestação, tarefa atribuída ao ombudsman, figura criada em 1809 na Suécia, como representante do povo para mediar conflitos entre cidadãos e o Estado, garantindo a aplicação da lei, papel que evoluiu no século XX para o setor privado e imprensa. A Folha resolveu trazer a figura para o Brasil. O papel desse profissional era sugerir correções nos textos com falhas, imprecisões e equívocos.

É uma tarefa delicada, pois criticar repórteres – mediadores da realidade – e o jornalismo exige muito mais que o simples ato de corrigir, mas a sensibilidade de, como dizia o jornalista e professor universitário Alberto Dines, enxergar aquilo que o leitor/espectador não conseguia.

Iniciar essa tarefa no Portal do Holanda, o único veículo da atualidade no Amazonas que se dispõe a fazer a autorreflexão, é um desafio e tanto que me faz o diretor-presidente do Portal, Raimundo de Holanda, um dos jornalistas mais entusiasmados com a notícia, que eu conheço, pois nunca se afastou desse ofício e foi um dos pioneiros quando o jornalismo começou a migrar do papel para a Internet.

Sou jornalista, formada pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) em 1986, trabalhei como repórter em editorias como Cidades, Política, Cultura em vários jornais locais, além de assessorias de imprensa para alguns órgãos e entidades.

No exercício da reportagem, que é o meu preferido, gosto de ir aonde o povo está, como disse o cantor e compositor Milton Nascimento, de perguntar, de ouvir/escutar, de conversar e depois buscar traduzir esses momentos em texto, que pode ser publicado em qualquer meio. No exercício de ombudsman, também quero e preciso escutar e agir.

Fazê-lo, depois do excelente trabalho realizado pela colega jornalista Elizabeth Menezes, é ainda mais desafiador, pois, vai requerer mais atenção, cuidado, ritmo e sensibilidade para ir além das entrelinhas, das manchetes, dos títulos, visando atender ao que mais importa no jornalismo, ser a voz, a visão, a audição do leitor/espectador.

A proposta, a finalidade é pensar e fazer pensar e não só isso, pensar grande, refletir, esmiuçar as ideias, palavras, conteúdos e para tanto, precisamos da participação e colaboração do leitor e espectador.

Colocar-me como a mediadora do/a leitor/a do Portal, veículo que há duas décadas presta serviço à população divulgando grandes reportagens, passa a ser uma responsabilidade que quero dividir com o/a leitor/a do Portal do Holanda.

Desde já agradeço e agradecerei a cada sugestão, informação e pontuação feita. O jornalismo só é importante quando cumpre a sua missão mais essencial, que é de informar com verdade e ética, servindo como canal entre a sociedade e o poder, bem como atuar na fiscalização de/do cumprimento do jornalismo como interesse público.

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Ana Celia Ossame é amazonense de Manaus, Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Educação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) (2015) e graduada em Comunicação Social - Jornalismo pela Ufam (1985). Tem Especialização em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 1997 e experiência na área de Comunicação, com ênfase em Jornalismo e Editoração e Assessoria de Imprensa. Trabalhou nos jornais amazonenses A Notícia, Jornal do Comércio e A Crítica, onde elaborou matérias sobre Educação, Saúde, Meio Ambiente e do Cotidiano. Durante mais de uma década, foi responsável pela edição e produção de uma página dedicada à Educação no Jornal A Crítica. Foi Assessora de Imprensa do Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (CRM-AM), Câmara Municipal de Manaus, Agência de Comunicação do Governo do Estado, Secretaria Estadual de Assistência Social (SEAS), Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SEMASDH), Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer (Semjel) e da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM). É detentora de prêmios jornalísticos como 6º. Prêmio Embratel de Jornalismo (2004), Grande Prêmio Ayrton Senna (2000), Governo do Estado do Amazonas (1997) e Sociedade Brasileira de Cardiologia. Em 1997, foi premiada como Jornalista Amiga da Criança (JAC) pela Agência de Notícias pelos Direitos da Infância (ANDI), vinculada à Unesco. É autora do Livro de Poesia “Imaginei Assim”, publicado em 1986, dos livros Infantis “O Planeta Azul” (2014) e Os Sapatos da Formiga (2024), publicados pela Editora Valer, este último contemplado pelo Prêmio Frauta de Barro. E-mail: [email protected].

Os artigos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais publicados nesta coluna não refletem necessariamente o pensamento do Portal do Holanda, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

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