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Política

Partidos de direita e esquerda são tão iguais

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Carlos Santiago

A Constituição Brasileira obriga que qualquer cidadão que queira disputar uma eleição deve ser filiado a um partido político. O Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão recente, como forma de assegurar a fidelização partidária, confirmou que o mandato eletivo pertence aos partidos e não aos políticos. O desafio agora está na renovação de pessoas e de mudanças nas estruturas partidárias, uma vez que a maioria é apenas siglas dominadas há anos por políticos profissionais, famílias e pequenos grupos de pessoas, com atuações similares, independentes dos partidos serem grandes ou pequenos, ou de pertencerem à Esquerda ou à Direita.    

No Brasil, a maioria dos partidos cumpre apenas a formalidade da Lei para participar de eleições. O Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), o maior de todos, por exemplo, desde a década de 80 não apresenta qualquer proposta para resolver os problemas sociais do Brasil. É comandado há décadas por caciques, tendo como estrela maior o senador José Sarney (PMDB/MA), que nunca deixou de indicar seus familiares e partidários para cargos estratégicos da República.


O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) é controlado por um seleto grupo paulista, que inclui o ex-presidente Fernando Herinque Cardoso, o ex-governador José Serra e o atual governador de São Paulo Geraldo Alckimin, e jamais lançou candidato presidencial fora de São Paulo. O DEM ou democratas mantém-se por tradição familiar de Antonio Carlos Magalhães (ACM) e César Maia e por antigas lideranças que dominam os partidos nos Estados, sem qualquer perspectiva de renovação.


Partido denominado de Esquerda atua bem diferente do que diz o nome. O Partido Socialista Brasileiro (PSB) lançou em 2010 para governador de São Paulo o presidente da Federação das Indústrias (FIESP), Paulo Skaf, que representa o grande capitalismo, sendo presidido há muito tempo pela família de Miguel Arraes.

O Partido dos Trabalhadores (PT) tem como membros milionários, como o ex-ministro Antonio Palloci e o atual ministro Fernando Pimentel. Outro exemplo é o partido das mulheres, presidido por homens e o Partido Comunista Brasileiro (PCB), que não democratizou sua direção, desde a sua refundação. 

O grande desafio do quadro político do Brasil é apostar em novas lideranças e na democratização partidária, neste momento em que todos os partidos são tão iguais, e que mandatários de siglas de Esquerda, como o PT, PSB e PCdoB, e de Direita, como o DEM, PP, PR, PTB e PDS, juntam-se em alianças eleitorais. Exemplos não faltam no Amazonas. Mas essa é a aposta para quem ainda acredita na política partidária
 

 

 

 

Carlos Pires Santiago

é sociólogo e cientista político

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