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Editorial

O João era Valente

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O João não pensava em morrer. Pensava na vida. Carregava cicatrizes de relações mal resolvidas e que lhe deram oito filhos que amava. O João que conhecemos era ao mesmo tempo ameno e severo, doce e amargo.

O João era Valente. O mundo do crime sabia disso e o temia.

O João não sabia é que lhe montavam armadilhas, como aquela na qual  caiu em Presidente Figueiredo, numa quinta-feira, 12 de maio de 2011, quando participava de uma operação contra a pedofilia.

Tudo deu errado. O acusado, Fernando Pontes, foi alvejado por policiais e morreu.

João, que passou a vida combatendo o crime, de repente se viu alvo de uma investigação do Conselho Superior do Ministério Público e acabou " pedindo" para ser afastado do  comando  do Cao-Crimo  e do Programa de Proteção às Vítimas e Testemunhas Ameaçadas, o Provita.

João começou a morrer ali. Quem conviveu com ele nos últimos meses percebia a sua amargura, a falta de chão, uma certa desilusão com a causa da sua vida. Para um amigo chegou a dizer: "eles venceram".

A morte o afasta definitivamente. Não é uma vitória do inimigo, mas é uma derrota da sociedade.

Com sua morte repentina, perdem seus filhos, perdem os amigos, perde o Ministério Público.

Raimundo Holanda
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