Um estudo publicado em junho de 2026 na revista científica Medical and Veterinary Entomology mapeou a presença do inseto transmissor da doença de Chagas, popularmente conhecido como barbeiro, em municípios do Rio Grande do Norte. A doença de Chagas é uma infecção causada pelo parasita Trypanosoma cruzi, transmitida principalmente pelo contato com fezes desses insetos durante a picada. A pesquisa usou dados de vigilância entomológica da Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte, coletados entre 2005 e 2022 em municípios das regiões Agreste, Central e Oeste do estado.
O levantamento identificou falhas na cobertura da vigilância: nenhuma ação de monitoramento foi registrada na região Leste do estado, e municípios sem qualquer atividade de vigilância chegam a 46,5% no Agreste, 18,9% na região Central e 11,3% no Oeste. Nos locais monitorados, as espécies mais capturadas foram Triatoma brasiliensis e Triatoma pseudomaculata, e o índice de infecção natural pelo parasita Trypanosoma cruzi foi considerado elevado nas três regiões avaliadas.
Segundo os autores, a descontinuidade da vigilância e do controle desses insetos, somada à fiscalização insuficiente e à baixa integração entre comunidade e serviços de saúde, favoreceu a permanência dos barbeiros dentro e ao redor das casas. A presença constante de espécies nativas infectadas em ambientes domésticos mantém o risco de transmissão do parasita a moradores e a animais domésticos, segundo o estudo.
Para moradores das áreas afetadas, a pesquisa reforça a importância de ações como a manutenção de quintais livres de entulho, madeira empilhada e abrigos de animais, além da notificação de insetos encontrados dentro de casa aos serviços de saúde. Como a doença de Chagas pode evoluir de forma silenciosa e, anos depois, causar complicações cardíacas e digestivas graves, identificar os municípios sem vigilância ativa é considerado pelos pesquisadores um passo necessário para direcionar ações de controle no Rio Grande do Norte.



Aviso