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Voto para sair da crise

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As elites conservadoras estão tranquilas com relação ao desdobramento do processo eleitoral: Lula foi condenado em segunda instância, e o presidente do TSE já adiantou que negará o registro de sua candidatura. As atenções agora se voltam para a escolha do candidato “do centro”, cuja especificação básica tem duas características: ser confiável para o empresariado e ter desempenho superior ao de Bolsonaro nas pesquisas.

Com a desistência de Luciano Huck, a elite parou de sonhar com a repetição da experiência italiana de 1994: em seguida à Operação Mãos Limpas, um outsider rico e com presença constante nas telas de TV, Silvio Berlusconi, venceu as eleições sem nunca ter sido antes deputado ou prefeito.

Naquele pleito, a Democracia Cristã e o Partido Socialista Italiano, até então hegemônicos, foram varridos do mapa. Os partidos italianos todos mudaram de nome para tentar se reabilitar, como está ocorrendo aqui desde 2017.

Os partidos brasileiros estão na vala comum do desprezo do popular, em função do envolvimento de seus dirigentes e bancadas em escândalos e falcatruas, salvo raras exceções. As direções partidárias estão desesperadas diante do risco de desaparecer.

A do MDB, por exemplo, aposta que seus atuais parlamentares não sairão no próximo troca-troca de partidos, em abril, financiando-os para que “comprem” novos mandatos em outubro com os recursos dos fundos eleitoral e partidário. Cada deputado receberá R$ 1,5 milhão e cada senador R$ 2 milhões para suas campanhas, segundo Romero Jucá.

Em sentido oposto a este, os partidos deveriam aproveitar as próximas eleições para se reinventarem e promoverem a renovação da política brasileira, como aconteceu recentemente na França, com a vitória de Macron e a substituição de 70% do Parlamento francês. Não é a isso que a sociedade brasileira aspira?

Os partidos deveriam adotar uma agenda antenada com aquelas aspirações e um projeto de desenvolvimento para o Brasil, a ser construído no prazo de 5-10 anos, para sair em campo com eles e conquistar os eleitores. Mas o que vemos?

Nenhum partido está investindo no recrutamento criterioso de novos candidatos que representem ideias e valorizem suas respectivas nominatas. Nenhum partido expurgou de seus quadros os políticos envolvidos na Lava-Jato, mensalão etc. Vão mantê-los como candidatos ou cabos eleitorais e demonizarão os juízes responsáveis pelas sentenças que os condenaram.

Nenhum partido está desenhando plataformas eleitorais ideologicamente claras, que definam os posicionamentos que seus candidatos devem assumir em relação a temas polêmicos: reforma da Previdência, desarmamento da população, privatização das estatais remanescentes etc.

Nenhuma agremiação explicitou, até aqui, os compromissos éticos a serem exigidos de seus candidatos, caso eleitos, em relação ao seu decoro pessoal e parlamentar, ao relacionamento com os lobbies, fidelidade à plataforma eleitoral etc.

As eleições de outubro são a oportunidade de ouro para que a sociedade brasileira se reencontre e faça boa parte da reforma política que até hoje os congressistas e os ministros do STF não tiveram a coragem de fazer. Os eleitores podem, por exemplo, dar cabo dos partidos nanicos e não ideológicos, que só sobrevivem à custa de vender seu horário na TV.

Uma eleição com partidos sérios e comprometidos com projetos de nação concretos, defendendo suas teses em debates democráticos pela TV, é a única saída para convencer a população a aceitar o resultado, qualquer que seja, e para eleger alguém capaz de unir o país e retirá-lo da crise que, em 2019, fará seu quinto aniversário.

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