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MP do Peru busca provas contra Keiko Fujimori no caso Odebrecht

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SÃO PAULO E LIMA - Um dia após o ex-diretor da empreiteira Odebrecht no Peru confirmar que a empresa teria financiado a campanha dos quatro últimos presidentes do país e da candidata de oposição Keiko Fujimori, o Ministério Público peruano realizou uma operação à procura de provas contra a filha do ex-presidente Alberto Fujimori. A ação foi na sede da Confederação Nacional de Instituições Empresariais Privadas (Confiep), em busca de documentos relativos às supostas entregas de US$ 1 milhão a dirigentes do Força Popular, legenda de Keiko, e de US$ 200 mil a membros da Confiep, principal entidade empresarial do Peru, relatadas por Jorge Barata.

— A presidente do meu partido já negou ter recebido ou mesmo solicitado qualquer ajuda da Odebrecht ou de Barata — afirmou a deputada fujimorista Rosa Bartra, presidente da comissão da Operação Lava-Jato no Congresso peruano. — Além do mais, Barata, afirmou que nunca se comunicou com ela.

Segundo o testemunho do ex-diretor, Ricardo Briceño, então presidente da Confiep, teria atuado como intermediário entre a Odebrecht e a campanha de Keiko, graças às boas relações que a entidade empresarial mantinha com o fujimorismo em 2011. A maior parte da doação teria sido entregue a Jaime Yoshiyama, ex-ministro durante o governo de Fujimori, e Augusto Bedoya. No depoimento, Barata confirmou que a empreiteira também ajudou a financiar campanhas dos últimos quatro presidentes peruanos (Alejandro Toledo, Alan García, Ollanta Humala e o atual mandatário, Pedro Pablo Kuczynski), além de ter dado apoio financeiro para evitar o impeachment da então prefeita de Lima, Susana Villarán, em 2013.

Em nota, o grupo empresarial negou as declarações:

“A Confiep rechaça a recente informação que vem sendo difundida nos meios de comunicação a respeito de uma suposta entrega econômica à candidatura política de Keiko Fujimori na campanha eleitoral de 2011”, afirma o comunicado divulgado na quinta-feira pela entidade. “A Confiep, sendo um sindicato empresarial, não apoia campanhas, nem partidos políticos”.

Horas mais tarde, a Confiep emitiu um novo pronunciamento, no qual confirmou as doações, mas negou que elas envolvessem fins políticos.

“A Confiep confirma que recebe doações de empresas e que, em 2011, muitas doações foram recebidas, entre elas, da empresa Odebrecht. Nos documentos que estão à disposição do Ministério Público, ficará demonstrado onde essas doações foram investidas”, afirmou a entidade.

Em novembro, ao ser interrogado por procuradores peruanos, o empresário Marcelo Odebrecht afirmou que as perguntas sobre doações a líderes peruanos deveriam ser feitas a Barata.

— Barata sabe — afirmou.

As revelações de Barata levaram Kuczynski — que escapou por pouco de um impeachment no Congresso, em dezembro, por ter ocultado pagamentos da Odebrecht a uma empresa da qual era sócio — a afirmar que responderá as questões da Comissão da Lava-Jato no dia 16 de março. Os pagamentos, que teriam sido realizados entre 2004 e 2007, não foram confirmados por Barata, mas o ex-diretor da Odebrecht afirmou que a campanha de Kuczynski em 2011 recebeu US$ 300 mil da empreiteira.

Na ocasião, a Odebrecht também teria doado US$ 600 mil à campanha do ex-presidente Alejandro Toledo, e US$ 3 milhões ao candidato do Partido Nacionalista Peruano, Ollanta Humala, vencedor do pleito.

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