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Vitória de Macron pode beneficiar rival de Merkel em eleição

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BERLIM - Pouca fonte de inspiração durante os governos de Nicolas Sarkozy e de François Hollande, a França voltou a entusiasmar os alemães como berço de novas tendências políticas. Com exceção do direitista Alternativa para a Alemanha (AfD), todos os partidos comemoraram a vitória do candidato independente Emmanuel Macron no primeiro turno e voltam a torcer pelo “herói europeu”, que será capaz de reduzir a ameaça da temida Marine Le Pen. Mas é Martin Schulz, do Partido Social Democrata (SPD), que disputa em setembro contra a chanceler federal Angela Merkel, o político alemão que mais espera tirar proveito de uma possível vitória de Macron.

Schulz, bem mais velho que seu colega francês, tem algumas semelhanças com Macron, a começar pelo populismo, modelo que os dois tomaram da extrema-direita — e cada vez mais uma receita para vencer eleições na Europa. Para o cientista político Nils Diederich, da Universidade Livre de Berlim, os dois conquistaram simpatia dos seus eleitores com um populismo com uma fachada de anti-establishment, embora Macron seja ex-ministro e Schulz, ex-presidente do Parlamento Europeu.

Diederich e sua equipe estudam há algum tempo o fenômeno de políticos como Macron e Schulz que se tornam, de repente, a canalização da esperança dos eleitores, numa reação mais emocional do que lógica, que sucede, quase sempre, a decepção com políticos tradicionais.

— Eu diria que Macron conseguiu conquistar popularidade na França tão repentinamente ao assumir, intencionalmente ou não, o modelo da metáfora do líder carismático que já foi definido pelo sociólogo alemão Max Weber — lembra Diederich, explicando que se trata de um fenômeno principalmente emocional. — Isso ocorre quando as pessoas têm a impressão de que alguma coisa precisa acontecer porque estão decepcionadas. De repente, chega um novo líder com um pronunciamento ou um programa que conquista esses eleitores.

Mas o papel de líder carismático pode perder efeito se não vier acompanhado de projetos concretos, lembra Diederich. Macron pode ser eleito como o messias que libertou a França do fantasma de um partido racista, mas sua popularidade só irá continuar se conseguir implantar reformas para impulsionar a economia e reduzir o desemprego.

Na Alemanha, o ex-deputado do Parlamento Europeu Daniel Cohn-Bendit, que há alguns meses já apontava Macron como a única receita eficiente contra Le Pen, lembra que uma vitória dele pode ajudar a revitalizar a social-democracia na Europa, embora o candidato não faça parte dessa tendência.

— E também Schulz corre o risco de perder sua popularidade se não conseguir mostrar um programa político competente, já que o efeito emocional não é duradouro — diz Diederich.

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