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Violinista das passeatas da Venezuela recebe promessa de novo instrumento

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CARACAS — O jovem venezuelano que ficou conhecido por tocar violino em meio à violência dos protestos contra o presidente Nicolás Maduro recebeu o apoio de dezenas de pessoas nesta quarta-feira, após ter seu instrumento destruído por um policial durante uma manifestação. A denúncia provocou uma onda de solidariedade nas redes sociais, inclusive entre artistas internacionais, e esta noite um vídeo de Arteaga tocando uma tradicional música venezuelana com um violino novo se espalhava pelas redes sociais.

Wuilly Arteaga, 23 anos, relatou em lágrimas que um militar da Guarda Nacional (GNB) em uma motocicleta pegou o seu violino e o destruiu durante uma manifestação em Caracas.

— Ele agarrou o violino pelas cordas. Eu não soltei e ele me arrastou com a moto. Tive que soltar o violino porque não consegui mais — disse Arteaga à imprensa.

Quando outro agente lhe devolveu o instrumento, o dano era irreversível. Ao receber seu instrumento quebrado, o jovem venezuelano começou a chorar, em uma cena registrada em um vídeo. A denúncia do ato das forças de segurança, e também a tristeza do rapaz, foi compartilhada nas redes sociais, provocando uma onda de solidariedade.

O vídeo do jovem chegou até em artistas internacionais, e Oscarcito, conhecido intérprete de música urbana, prometeu enviar a Arteaga um violino autografado por diversos cantores, como o espanhol Alejandro Sanz, o americano Marc Anthony e os venezuelanos Ricardo Montaner e Franco De Vita.

Os protestos contra Maduro acontecem quase diariamente desde 1º de abril, e já deixaram 55 mortos — 52 civis e 3 policiais — em confrontos entre forças de segurança em manifestantes em Caracas e outras cidades. O presidente venezuelano acusa os líderes opositores de propiciar atos de terrorismo para dar um golpe de Estado. Já seus adversários denunciam que os atos de violência acontecem devido à repressão da polícia, que reprime os protestos com gás lacrimogêneos, jatos d’água e coquetéis molotov.

A Venezuela se encontra em meio a um colapso econômico que gera uma severa escassez de alimentos e remédios, e uma inflação que, segundo o FMI, ultrapassará os 720% este ano, além de uma criminalidade crescente. Os protestos que tomam as ruas ganharam ainda mais força com a convocação de Maduro da Constituinte, na qual metade dos integrantes seria escolhida por setores controlados pelo chavismo. A oposição rejeita a iniciativa por considerar que deixa no limbo sua maior reivindicação, as eleições, pois enquanto a Constituinte deliberar, não haveria convocação às urnas e Maduro continuaria no poder.

No entanto, o presidente garantiu que em 2018 haverá eleições presidenciais, como prevê a lei. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela anunciou na noite de terça-feira a convocação de eleições para prefeitos e governadores no dia 10 de dezembro. As eleições regionais eram uma das principais demandas da Mesa de Unidade Democrática (MUD), junto com a liberação de presos políticos e respeito às faculdades da Assembleia Nacional (AN). No entanto, o passo dado pelo CNE não acalmou os opositores de Maduro, já que a MUD, além da Igreja, juristas, ONGs locais e internacionais e até mesmo a procuradora-geral da República, Luisa Ortega Diaz, considera inadmissível a Constituinte defendida pelo presidente.

As eleições para governador deveriam ter sido realizadas em dezembro do ano passado. O CNE vinha adiando o anúncio sem justificativa e agora decidiu atender um dos pedidos da oposição, em meio ao debate sobre a Constituinte. A reação imediata da oposição foi acusar a presidente do CNE de ser "cúmplice da ditadura de Maduro".

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