CARACAS — A oposição venezuelana acusa agentes das forças de segurança do país de roubar e agredir dezenas de manifestantes e jornalistas nas últimas semanas durante os protestos contra o presidente Nicolás Maduro. Na terça-feira, deputados da Assembleia Nacional apresentaram à Procuradoria uma denúncia contra a Polícia e a Guarda Nacional, a unidade militar à frente da repressão às manifestações.
Vídeos de homens uniformizados empurrando civis e tomando seus celulares, bolsas e relógios durante as manifestações de segunda-feira viralizaram nas redes sociais. Em um dos vídeos se vê uma mulher atordoada pelos efeitos do gás lacrimogêneo sendo rodeada por ao menos quatro agentes da Polícia Nacional enquanto um deles toma um acessório de sua mão. Em outro, guardas tiram a bolsa e o capacete de um manifestante antes de voltar às suas motocicletas.
— (O ministro do Interior e da Justiça) Néstor Reverol lhes dá licença para que roubem — disse o parlamentar Juan Miguel Matheus em frente ao Ministério Público, acrescentando que a denúncia menciona delitos de tratos cruéis e desumanos.
Na segunda-feira, durante um protesto realizado pela oposição, se multiplicaram as denúncias contra membros da Guarda Nacional por agressão e roubo de manifestantes e jornalistas. O comandante das Forças Armadas Venezuelanas, general Vladimir Padrino López, advertiu os policiais na terça-feira que não tolerará violações dos direitos humanos, após as denúncias de agressões e roubos contra manifestantes opositores e jornalistas.
— Não quero ver um guarda sequer cometendo atrocidades nas ruas — disse Padrino López, que acumula o cargo de ministro da Defesa, sem citar diretamente os membros da Guarda Nacional Bolivariana, encarregados de controlar os protestos. — Quem se afastar da orientação do Estado, do respeito aos direitos humanos, da atuação profissional, terá que assumir sua responsabilidade.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP), 14 profissionais da imprensa foram vítimas de agressões, principalmente em Caracas, e vários tiveram seus equipamentos roubados.
A oposição afirma que além de roubar, membros da Guarda Nacional e da polícia têm disparado bombas de gás lacrimogêneo diretamente contra os manifestantes, assim como tiros de cartucho. O governo alega que luta contra células de terroristas que querem derrubar Maduro. A atual onda de protestos, iniciada em 1 de abril, já deixou 65 mortos e mais de mil feridos, além de 3 mil detidos.

