Vaticano rejeita título "corredentora" para Maria e diz que só Jesus salvou o mundo
O Vaticano, através do seu principal órgão doutrinário, instruiu a não se referirem à Virgem Maria com o título de "Corredentora", uma decisão que visa resolver um longo debate teológico sobre o papel exato da Mãe de Jesus na obra da salvação. A nova instrução, aprovada pelo Papa Leão XIV, afirma categoricamente que apenas Jesus Cristo salvou o mundo da danação.
O texto do decreto sublinha que não seria apropriado usar a denominação de "Corredentora", pois o título "pode criar confusão e desequilíbrio na harmonia das verdades da fé cristã", reforçando a crença católica de que Jesus redimiu a humanidade por meio de sua crucificação e morte.
A resolução do debate reflete a posição de Papas recentes. A instrução segue a linha de oposição já manifestada pelo falecido Papa Francisco, que chegou a classificar a ideia de "Corredentora" como "loucura", insistindo que Maria "nunca quis tirar nada do filho para si". Seu antecessor, Bento XVI, também se opôs ao título. Embora o Papa João Paulo II o tenha apoiado inicialmente, ele o evitou publicamente após meados da década de 1990, quando o Escritório para a Doutrina da Fé começou a expressar reservas sobre a terminologia.
Apesar da rejeição ao termo "Corredentora", o novo decreto do Vaticano sublinha e valoriza o papel fundamental de Maria como intercessora e intermediária entre Deus e a humanidade. A instrução reconhece que, ao dar à luz Jesus, Maria "abriu as portas da Redenção que toda a humanidade aguardava", citando a resposta de Maria ao anjo, "Que assim seja", como o ponto de partida crucial para a salvação.
Em seu comunicado, o principal órgão doutrinário da Igreja procura conciliar a alta devoção mariana, presente há séculos, com a precisão teológica sobre a centralidade de Cristo. A instrução permite que os católicos continuem a reconhecer a sabedoria e a influência materna de Maria sobre Jesus durante sua vida terrena. No entanto, o foco da fé deve ser mantido na exclusividade da Redenção realizada por Jesus, eliminando o título que, segundo o Vaticano, prejudica a compreensão da única fonte de salvação.
Veja o comunicado completo aqui.
ASSUNTOS: Mundo