BOGOTÁ - Ex-líder guerrilheiro das Farc, Mauricio Jaramillo afirma que o grupo está comprometido com a paz rumo a um futuro político. Entre as principais metas que cita, promete combater a corrupção e defender as liberdades políticas.
Será a de uma organização revolucionária que está comprometida com a paz e que, além disso, está passando à política sem armas. Continuamos a luta, temos os mesmos objetivos, mas iremos buscá-los do ponto de vista político. Esperamos que nos vejam como uma organização que cumpriu todos os acordos.
Estamos realizando um processo de desarmamento. Estamos comprometidos com o país, onde vamos participar de um processo de caráter político e onde nossas armas serão as palavras. As armas, no fim das contas, disse uma vez Mono Jojoy (líder guerrilheiro, morto em 2010), são pedaços de ferro que se oxidam e se destroem facilmente. Para nós, significa muito que não haja uma foto, para que as pessoas entendam que já passamos para uma etapa diferente.
Trabalho político em todo o país. As diretrizes serão dadas no congresso que teremos em agosto, quando lançaremos o partido. Faremos uma reunião com a militância. Previamente, haverá um documento central, um informe geral de como está toda a organização, discutiremos em comitês e tiraremos conclusões.
A bandeira da paz. Outras bandeiras são a contra a corrupção, e pelas liberdades políticas. Pedimos que as pessoas possam falar, se expressar e não serem mortas.
É um acordo que vamos cumprir. Estamos acostumados a cumprir acordos, e a ONU também. A abdicação de armas é fato consumado. Estamos cumprindo ponto por ponto. Sabemos que temos que cumprir pela população civil colombiana e pela comunidade internacional. Se alguém falhar, terá que enfrentá-los.
Depois de agosto teremos o panorama mais claro em nossa estratégia política de alianças. Indiscutivelmente, terá que ser uma política muito ampla, onde não haja imposições, onde teremos que discutir qual é a saída para o país, que está envolvido em um marco de corrupção terrível e de violência na institucionalidade.
Vamos continuar lutando, esse foi o nosso compromisso quando dissemos “vamos deixar as armas”. Vamos lutar com as palavras.
Estamos com as pessoas, estamos no meio do povo, e isso não vai mudar. Vamos continuar assim, como temos estado ao longo destes 52 anos. Se mudarmos isso, estaríamos renunciando ao fundamental para nós: o povo.

