PARIS — Para lutar contra a intensa onda de calor no sudeste da França, centenas de turistas procuram as cavernas da região, oásis naturais de temperaturas amenas, que registraram um aumento significativo das visitas. No momento em que a Europa enfrenta uma onda de calor com temperaturas próximas a 40 graus, a Gruta de Saint-Marcel viu um aumento de 10% do número de visitantes, entre franceses, europeus e americanos.
— As pessoas afirmam que é ótimo desfrutar deste ar condicionado natural — conta Linda Benini, que administra a Gruta de Saint-Marcel, uma caverna espetacular da região de Ardèche. — Aqui dentro faz 14 graus e os turistas estão maravilhados.
A visita às imensas galerias e a suas piscinas naturais formadas pelo acúmulo de diversos minerais, única na Europa, dura uma hora. Os visitantes descem a uma profundidade de 150 metros. O mesmo acontece na gruta de Madeleine, em Saint-Remèze, Ardèche. Entre 400 e 600 pessoas visitam o local no verão.
— Temos mais visitante. A 150 metros de profundidade a temperatura é de 15 graus — confirmou o diretor da localidade, Frédéric Giordan. — A beleza deste lugar é o que atrai os turistas em primeiro lugar, mas o tempo também atrai mais visitantes.
No maciço de Vercors, nos Alpes, as pessoas procuram temperaturas amenas na altitude: as cachoeiras são invadidas, assim como as cavernas. A gruta de Choranche, perto de Lyon, registra 300 visitantes a mais por dia, confirma Florence Delorme, diretora de comunicação da área. O local recebe atualmente até 1.400 turistas diariamente. A 40 quilômetros de Lyon, onde o termômetro chega a 38 graus, as cavernas de Balme usam a temperatura amena para atrair mais visitantes.
— Quando temos temperaturas como estas, comunicamos nas redes sociais e em nosso site as temperaturas dentro das cavernas, entre 12 a 15 graus o ano todo — afirma o diretor Jean-Michel Colomb.
O local recebe durante o verão 550 pessoas por dia em média. Colomb informa que durante a onda de calor de junho a procura aumentou 20% e ele espera o mesmo cenário na semana. O sudeste da França vive uma intensa onda de calor pode continuar até o domingo, com temperaturas próximas aos 40 graus. Na quinta-feira, a ilha da Córsega registrou um recorde, 42 graus na região de Sartène.
Uma onda de calor tomou a Europa neste verão. No Sul e no Leste as temperaturas desta sexta-feira estão por volta de 40º devido ao anticiclone batizado de Lúcifer, que já provocou incêndios florestais, alertas metereológicos e danificou plantações. A Itália e os Balcãs foram as zonas mais afetadas, ainda que áreas ao Norte, como o sul da Polônia, também estejam sendo afetadas pelas temperaturas anormalmente altas. A cadeia metereológica europeia Meteoalarm publicou seu grau de alerta máximo em dez países.
Ao menos duas pessoas morreram pelo calor — uma na Romênia e outra na Polônia — e muitas outras foram levadas ao hospital por insolação e outros males relacionados à temperatura. Na Albânia, 300 bombeiros e soldados se esforçaram para conter 75 incêndios florestais, e o país solicitou ajuda de emergência à União Europeia.
Sérvia, Bósnia, Macedônia e Croácia também registraram incêndios, e as autoridades aconselharam às pessoas que evitassem sair de casa e aumentassem a ingestão de água. Espera-se que as temperaturas mantenham-se em torno dos 40 graus até o início da semana que vem.
Os produtores de vinho da Itália começaram a recolher a colheita de uva semanas antes do normal devido ao calor extremo. Carlo Petrini, fundador do movimiento "Slow Food", escreveu no jornal “La Stampa” que a colheita da uva não costuma começar antes do dia 15 de agosto.
“A saúde das uvas se vê severamente ameaçada por este clima”, escreveu Petrini, acrescentando que os viticultores correm o risco de encontrar a fruta cozida pelo sol.
As autoridades italianas emitiram alertas pelo risco climático em 26 cidades, incluindo Veneza e Roma, onde muitas das fontes foram desligadas devido à escassez de água.

