MADRI - Uma brincadeira de mau gosto chocou a imprensa e internautas na Espanha. Um grupo de ingleses tatuou em seus corpos a frase “eu sequestrei Maddie McCann”, em alusão ao desaparecimento da menina britânica Madeleine, caso que aconteceu há 10 anos em Portugal e até hoje permanece sem solução.
De acordo com funcionários de um estúdo de tatual de Magaluf, localidade na ilha de Maiorca (Espanha) onde as tatuagens foram feitas, registrar frases bizarras no corpo não é algo incomum na região, principalmente durante as noites de bebeideira no turístico.
— A gente tatua porque é nosso trabalho — afirmou à agência ANSA.
O prefeito Antoni Noguera afirma que vai adotar medidas para evitar este tipo de turistas e pediu para países europeus "não enviarem pessoas assim" para Magaluf.
O desaparecimento de Madeleine McCann, em 3 de maio de 2007 permanece um mistério até hoje. A menina, que tinha 3 anos, sumiu enquanto os pais Kate e Gerry, de Leicestershire, na Inglaterra, jantavam com amigos na Praia da Luz, na região do Algarve, em Portugal. O caso provocou tanta comoção mundial que, desde o dia em que foi noticiado até 2016, a polícia britânica havia recebido 8.685 notificações de pessoas que afirmavam terem visto a menina inglesa, vindas de 101 países.
Na noite do desparecimento, Gerry e Kate MacCan, pais de Madeleine, retornaram ao apartamento em que estavam hospedados na Praia da Luz, em Portugal, após um jantar nas proximidades, e perceberam que a menina havia sumido do local, onde dormia com seus dois irmãos mais novos. A partir daí, acionaram a Polícia Judiciária portuguesa, que começou uma investigação de proporções internacionais.
Com o passar dos dias e a escassez de evidências que ajudassem as autoridades portuguesas e britânicas a encontrar a criança desaparecida, os pais de Madeleine começaram uma campanha que mobilizou celebridades e personalidades de todo o mundo, entre elas os jogadores de futebol David Beckham, Cristiano Ronaldo, a escritora J.K. Rowling (autora da série Harry Potter) e até o Papa Bento XVI. A iniciativa angariou, desde então, milhões de libras.
Ao longo da investigação, reviravoltas estamparam os noticiários, em especial quando Gerry e Kate se tornaram suspeitos da morte da filha. Entre as hipóteses, nunca comprovadas, estava a de que o casal de médicos teria administrado uma dose errada de calmantes para Madeleine. Circularam, ainda, rumores de que a garota teria batido a cabeça após ser agredida pela mãe.
Apesar da grande cobertura e mobilização internacional, o caso de Madeleine foi arquivado sem conclusão no dia 21 de julho de 2008, pouco mais de um ano após sua abertura. Os três suspeitos — os pais de Maddie e um britânico que morava na região — também foram nocentados. De acordo com o procurador-geral de Portugal à época, Fernando José Pinto Monteiro, em declaração publicada no GLOBO no dia seguinte, “o arquivamento do processo ocorreu por causa da falta de prova e indícios que apontem para o que realmente aconteceu”.
Mesmo com o fim das investigações originais, o desaparecimento voltou a ter um inquérito, dessa vez conduzido pela renomada Scotland Yard. O departamento de investigação de elite se debruça sobre o caso desde 2011, quando alocou 29 profissionais para a tarefa. A busca, que continua, teve sua força tarefa reduzida para quatro investigadores em 2015 e já gastou cerca de 10 milhões de libras. Os pais da menina afirmam não ter dúvidas de que Madeleine está viva e que não vão desistir de procurá-la.
Até hoje, rumores e suspeitas continuam sendo publicadas pela imprensa periodicamente. Em novembro do ano passado, uma jovem que vivia nas ruas de Roma gerou rumores nas redes sociais e na imprensa por se parecer com várias meninas desaparecidas no passado, inclusive com Madeleine. Após virar destaque em publicações de todo o mundo, um homem que dizia ser o pai dela negou a suspeita e a mulher foi identificada.

