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Trump mantém silêncio sobre direitos humanos em ida a Pequim

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PEQUIM - Enquanto Donald Trump assistia a uma ópera na Cidade Proibida, Li Wenzu ouviu fortes batidas na porta de sua casa. Um homem que dizia ser um representante da agência de segurança doméstica chinesa recebera a missão de reprimir manifestações políticas e avisou:

— O presidente americano está na cidade. Não vá a lugar nenhum. Você deve cooperar conosco.

Li, de 32 anos, é mulher de Wang Quanzhang, um advogado de direitos humanos detido secretamente em 2015 durante uma operação de perseguição a advogados e ativistas conhecida como “Guerra ao Direito”. Assim como ela, outros ativistas chineses foram mantidos em prisão domiciliar ou sob forte vigilância durante a passagem de Trump pela capital chinesa. Após ser acordada às 7h pelo agente, ela percebeu que vários policiais vestidos à paisana vigiavam o lado de fora de seu prédio e, ao tentar sair de casa com o filho, foi impedida e empurrada por um deles.

— As autoridades temem que nos encontremos com líderes estrangeiros, nossas histórias sejam ouvidas pelo mundo todo, e a verdade seja revelada — afirmou Li, por telefone, ao diário “Guardian”. — Que vergonha! Não tenho o direito a ir a qualquer lugar. É ridículo! Me sinto impotente.

Peter Dahlin, ativista de direitos humanos sueco e amigo de Wang, expulso da China após ficar detido por 23 dias, afirma que as autoridades chinesas consideram Li — que protestou incessantemente contra a prisão do marido — uma “pedra no sapato”, e classificou a operação para mantê-la em prisão domiciliar como “inesperada até mesmo para os padrões chineses”.

Embora Trump tenha classificado o triunfo de Xi Jinping no 19º Congresso do Partido Comunista Chinês como “uma grande vitória política”, o questionável histórico da China no campo dos direitos humanos fez com que até mesmo companheiros de partido do presidente o criticassem.

“A consolidação do poder de Xi Jinping, num Estado comunista e monopartidário, não é uma vitória política, e sim uma tragédia para ativistas dos direitos humanos, reformistas e milhares de prisioneiros políticos”, afirmou, no Twitter, o senador republicano Marco Rubio.

Li, que não vê o marido desde sua detenção, expressou esperanças de que Trump demonstrasse preocupações com os direitos humanos na China.

— Ele deveria pensar com cuidado antes de negociar com um país que não respeita os direitos humanos e viola a lei — afirmou a ativista. — Quando fazemos amigos, devemos, antes de tudo, analisar o caráter das pessoas de quem nos aproximamos.

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