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‘Trump jogou apenas para sua base política estreita’

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Como o senhor classificaria o primeiro ano do governo Trump?

Foi um ano em que foi realizado muito menos do que Trump imaginou ou prometeu. Em termos legislativos, Trump e o Congresso tiveram o ano menos produtivo desde 1946. Fora a reforma tributária e a reversão parcial do Obamacare (sistema de saúde do governo Obama cujo fim era prioridade republicana), há poucas realizações. Não há o muro na fronteira com o México. Ele não conseguiu substituir o Obamacare e nem aprovar o projeto de obras de infraestrutura. Sua Presidência é limitada pela própria falta de experiência, pela investigação que apura se membros de sua campanha agiram em conluio com a Rússia, pelos tribunais que travaram muitos programas, como as proibições de viagem (de países de maioria muçulmana), e simplesmente pela própria personalidade e desentendimento de Trump para trabalhar com qualquer um, incluindo seu próprio partido. Trump jogou apenas para a sua base política estreita e alienou quase todos os outros, diminuindo seu capital político e sua influência.

Este ano pode ser comparável com qual momento da História americana?

Ele é tão divisivo como Barry Goldwater foi em 1964 (na campanha presidencial em que era considerado conservador extremista), ou Richard Nixon em 1968 ou nos eventos nos EUA envolvendo a Guerra do Vietnã e os movimentos de direitos civis da década de 1960.

O estilo de governo de Trump se parece com o de qual presidente?

Nenhum outro. Alguns fazem comparações com Andrew Jackson em termos de seus apelos raciais, mas não tenho certeza de que a comparação se encaixa. Trump tem o racismo de Jackson, tenta tirar vantagens para seus próprios negócios como Warren Harding e a corrupção de Nixon.

Quais foram o pior e melhor momentos para o governo Trump?

O melhor foi a reforma fiscal. O pior foi se aproximar de uma guerra com a Coreia do Norte e fazer com que os EUA tenham se distanciado de amigos e de inimigos, tornando o país menos importante na política mundial.

Quais os maiores desafios de Trump neste ano, além dos temas que já o ameaçavam?

As eleições de meio de mandato (quando serão renovadas as 435 cadeiras da Câmara e um terço dos 100 senadores, em novembro) e prováveis acusações por promotores especiais (que investigam a trama russa).

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