LONDRES/CINGAPURA, 13 Jul (Reuters) - O número de petroleiros que atravessaram o Estreito de Ormuz caiu no último dia para o nível mais baixo em dois meses, segundo dados do setor de navegação divulgados nesta segunda-feira, à medida que novos confrontos entre EUA e Irã e ataques a embarcações aumentaram preocupações com a segurança.
Fontes do setor de navegação afirmaram que as embarcações estão cada vez mais desligando seus transponders públicos de rastreamento AIS, dificultando a determinação do número total de navios que cruzam a via navegável.
Com base nos dados disponíveis, o tráfego de petroleiros e gaseiros caiu para o nível mais baixo desde 25 de maio, de acordo com análise da Kpler.
“Caso a nova escalada de tensões no estreito leve a outro fechamento prolongado de Ormuz, o mundo se verá em uma situação muito mais difícil”, afirmou a corretora marítima Gibson em um relatório.
“Com os estoques globais se esgotando rapidamente nos últimos meses, isso é uma receita para uma oferta muito mais restrita, preços mais altos e um risco significativo de queda para os mercados de navios-tanque.”
O petroleiro Sea Faith estava entre as poucas embarcações visíveis navegando em direção à entrada do Estreito de Ormuz, próximo ao lado iraniano da via navegável, com destino a Sohar, de acordo com dados de rastreamento de navios da LSEG e da MarineTraffic na segunda-feira.
O tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz “continuou em níveis reduzidos”, informou o Centro Conjunto de Informações Marítimas (JMIC), liderado pela Marinha dos EUA, em um comunicado no domingo.
“Os padrões de tráfego continuaram a refletir a cautela das operadoras após os recentes ataques.”
Pelo menos três pares de petroleiros estiveram envolvidos em transferências de navio para navio fora do Estreito de Ormuz, na costa de Omã, no Golfo de Omã, de acordo com as imagens de satélite mais recentes, de 11 de julho, analisadas pela Reuters.
As transferências de navio para navio (STS, na sigla em inglês) geralmente envolvem a transferência de petróleo de uma embarcação para outra. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, as transferências STS têm permitido entregas mais rápidas de petróleo para navios que aguardam e que não precisam navegar pelo Estreito de Ormuz.
“Alguns navios estão entrando e saindo discretamente”, disse uma autoridade do setor de navegação na segunda-feira.
“Isso deve ser visto agora como um conflito controlado, semelhante ao dos houthis no Mar Vermelho”, disse a fonte, referindo-se à milícia iemenita, que paralisou o tráfego pela passagem de Bab al Mandeb por quase dois anos antes de declarar um cessar-fogo em 2026.
TRUMP E IRÃ DISCORDAM SOBRE SITUAÇÃO DO ESTREITO
As forças americanas concluíram mais uma onda de ataques contra o Irã no domingo, atingindo dezenas de alvos em vários locais com munições de precisão, informou o Comando Central.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no domingo que o Estreito de Ormuz está aberto ao tráfego comercial, embora o Irã tenha declarado anteriormente que fechou o estreito depois que uma embarcação navegou por uma rota não aprovada e foi atingida.
A Guarda Revolucionária do Irã informou na segunda-feira que sua marinha interceptou dois navios no Estreito de Ormuz na noite anterior, desativando seus sistemas. A Guarda não divulgou os nomes dos navios envolvidos.
Um navio porta-contêineres sofreu danos causados por um projétil desconhecido, que provocou um incêndio na sala de máquinas no domingo, informou o JMIC.
Seis embarcações transitaram pelo estreito no domingo, segundo dados de rastreamento de navios da Kpler, o menor número em cinco semanas.
(Reportagem de Jonathan Saul, Florence Tan, Emily Chow, Siyi Liu e Trixie Yap)



Aviso