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Terroristas de Teerã eram iranianos que lutaram pelo Estado Islâmico na Síria

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TEERÃ — Os homens que atacaram o Parlamento e o mausoléu do aiatolá Khomeini em Teerã na quarta-feira eram iranianos que se uniram ao grupo Estado Islâmico (EI) e lutaram com o grupo jihadista na Síria e no Iraque, informou um alto funcionário do governo. O Irã chamou nesta quinta-feira de “repugnante” a reação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que o país colhe o que planta, referindo-se aos atentados, que deixaran ao menos 13 mortos e 46 feridos na capital do país.

Os seis terroristas eram iranianos de distintas partes do país que aderiram ao EI, declarou Reza Seifollahi, vice-secretário do Conselho de Segurança Nacional Supremo, em entrevista à TV estatal na noite de quarta. Os terroristas estavam armados com fuzis e pistolas e ao menos dois acionaram explosivos, segundo a imprensa iraniana. A polícia indicou que cinco pessoas foram presas perto do mausoléu de Khomeini por suspeita de envolvimento no ataque, enquanto o ministério de Inteligência afirmou que uma terceira equipe foi detida antes de iniciarem os ataques.

“Eles deixaram o Irã e estavam envolvidos nos crimes do grupo terrorista em Raqqa e Mossul”, disse o ministro de Inteligência, Mahmoud Alavi. “Ano passado, eles retornaram ao país para executar ataques terroristas nas cidades sagradas do Irã”.

As declarações de Trump provocaram uma resposta crítica do governo iraniano. O presidente americano disse em um breve comunicado que reza pelas vítimas inocentes dos ataques, mas comentou que “os Estados que apoiam o terrorismo se arriscam a se tornar vítimas do mal que promovem”. O chefe da Casa Branca acusa frequentemente o Irã de apoiar o terrorismo e ameaça acabar com o acordo selado em 2015 entre as potências ocidentais e a República Islâmica sobre o seu programa nuclear.

Em paralelo, o Senado dos Estados Unidos aprovou na quarta-feira um projeto de lei para impor novas sanções ao Irã, em parte pelo apoio aos atos de terrorismo internacional. Já as autoridades iranianas da segurança afirmam que a Arábia Saudita, aliada dos Estados Unidos, é responsável por financiar e espalhar o extremismo encarnado pelo Estado Islâmico.

Em um tuíte, o chanceler iraniano queixou-se da reação de Trump:

“O comunicado da Casa Branca é repugnante num momento em que os iranianos enfrentam o terror apoiado pelos clientes dos americanos”, afirmou Mohamad Javad Zarif, em clara referência à Arábia Saudita, aliada dos Estados Unidos.

À noite, em uma primeira reação oficial, o presidente iraniano, Hassan Rouhani, clamou pela unidade e cooperação regional e internacional contra o terrorismo, em um comunicado publicado na página da Presidência na internet. Já os Guardiões da Revolução acusaram em um comunicado os Estados Unidos e a Arábia Saudita de envolvimento nos atentados em Teerã:

"A ação terrorista após o encontro do presidente dos Estados Unidos com o chefe de um dos governos reacionários da região, que sempre apoiou os terroristas, é repleta de significado e a reivindicação pelo Estado Islâmico mostra que estão envolvidos", disseram os iranianos.

O ataque foi o primeiro reivindicado pelo Estado Islâmico no território iraniano, e havia sido anunciado recentemente pelo grupo jihadista. Embora regiões próximas às fronteiras com o Iraque, o Afeganistão e o Paquistão tenham sido atacadas pelos grupos extremistas, entre eles o EI, os grandes centros urbanos se mantiveram à margem destes atentados até agora.

O EI publicou em março um vídeo em persa dizendo que o grupo ia conquistar o Irã e devolvê-lo à nação muçulmana sunita, matando os xiitas. O Irã é uma importante força no combate ao Estado Islâmico no Iraque e na Síria. Os combatentes do Estado Islâmico, assim como fundamentalistas sunitas, consideram os xiitas iranianos como hereges.

Os xiitas representam 90% da população iraniana, mas o país também abriga uma considerável minoria sunita, especialmente nas fronteiras com Iraque e Paquistão.

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