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Susan Sarandon diz que ainda perde papéis no cinema em razão de apoio a palestinos

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Susan Sarandon diz que ainda perde papéis no cinema em razão de apoio a palestinos
Susan Sarandon diz que ainda perde papéis no cinema em razão de apoio a palestinos

Por Crispian Balmer

VENEZA, 6 Set (Reuters) - A atriz vencedora do Oscar Susan Sarandon afirmou neste domingo que ainda está perdendo trabalhos em razão de seu apoio declarado aos palestinos, apesar do que ela descreveu como uma mudança mais ampla na opinião pública contra o apoio dos EUA a Israel.

Em discurso no Festival de Cinema de Veneza, onde está promovendo seu mais recente filme, “The Echo Chamber”, Sarandon disse que alguns setores da indústria cinematográfica continuam a rejeitá-la por causa de seu ativismo.

“Acho que a narrativa mudou completamente no que diz respeito à relevância histórica da Palestina e aos laços dos sionistas com os Estados Unidos e nossa política”, disse ela. “Isso tem sido uma grande revelação para as pessoas: quanto dinheiro os Estados Unidos dão a Israel -- ninguém realmente entendia isso.”

Pesquisas de opinião recentes nos EUA mostraram que o apoio a Israel vem diminuindo e a simpatia pelos palestinos aumentando desde o início da guerra em Gaza, em 2023.

No entanto, a atriz de 79 anos disse que seu apoio à causa palestina continua a trazer consequências profissionais.

“Ainda perdi papéis em filmes recentemente porque há agências que continuam dizendo às pessoas para não me contratarem”, disse ela aos repórteres. “Mas essa é a estrutura de poder. Acho que (entre) as pessoas, certamente internacionalmente, me sinto bem-vinda.”

POLÊMICA SOBRE BANDEIRA

Vencedora do Oscar por “Dead Man Walking” ("Os últimos passos de um homem", no Brasil), Sarandon ganhou destaque em filmes como “The Rocky Horror Picture Show”, “Bull Durham” ("Sorte no amor", no Brasil) e “Thelma & Louise”.

Ela foi dispensada pela UTA, sua agência de talentos de longa data, em 2023, após comentários que fez enquanto participava de manifestações pró-palestinas logo após o sangrento ataque do Hamas a Israel, que desencadeou a guerra em Gaza.

O conflito se estendeu ao Festival de Cinema de Veneza deste ano, com ativistas pedindo aos organizadores que hasteassem a bandeira palestina em reconhecimento aos diretores palestinos cujos filmes estão sendo exibidos no evento.

O diretor artístico Alberto Barbera afirmou que isso é impossível, porque a Itália não reconhece formalmente o Estado da Palestina, mas destacou que vários filmes exibidos no Lido retratam a luta dos palestinos comuns.

Sarandon disse que a resistência em contratar pessoas abertamente críticas a Israel continua particularmente forte entre os grandes estúdios.

“Se for um grande estúdio, acho que não é só comigo, mas com outras pessoas que ouviram que isso é impossível”, disse ela, agradecendo a Andrea Pallaoro, diretor de “The Echo Chamber”, por tê-la escalado.

“Encontrei minha família, encontrei meu povo e estou bem”, acrescentou, provocando aplausos prolongados na coletiva de imprensa.

Em seu último filme, adaptado do roteiro final do cineasta italiano Bernardo Bertolucci, Sarandon interpreta uma cantora envelhecida que contrata um produtor musical em recuperação do vício em medicamentos para trabalhar em um álbum de retorno.

“The Echo Chamber” é um dos 21 filmes que disputam o prêmio Leão de Ouro de Veneza, que será entregue no dia 12 de setembro.

(Reportagem de Crispian Balmer)

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