Suprema Corte de Trinidad e Tobago suspende deportação de 29 imigrantes venezuelanos

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

26/11/2020 19h35 — em Mundo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Suprema Corte de Trinidad e Tobago ordenou, nesta quinta-feira (26), a suspensão da deportação de pelo menos 29 imigrantes venezuelanos, dos quais 16 menores de idade, após o governo da ilha ter realizado a repatriação no domingo (22).

Na última terça (24), um juiz do Superior Tribunal de Justiça já havia concedido o indulto para que eles pudessem permanecer no país, mas só depois de o governo ter mandado os venezuelanos de volta em dois pequenos barcos. Após horas no mar, eles foram encontrados em Delta Amacuro, região afastada no oeste da Venezuela, e puderam retornar à ilha no próprio dia 24.

Felix Marcano, um venezuelano que já vive em Trinidad e Tobago e cuja esposa e dois filhos estavam entre os deportados, disse que seus parentes retornaram com fome e desidratados após a viagem.

"Onde eles iam conseguir comida?", disse à agência de notícias Reuters. Segundo ele, sua mulher havia tentado vir a Trinidad e Tobago em busca de remédios para seus filhos, difíceis de encontrar na Venezuela, que enfrenta uma crise econômica e humanitária.

Milhões de venezuelanos deixaram seu país nos últimos anos com o agravamento da crise. Cerca de 40 mil foram para Trinidad e Tobago, e dezenas desapareceram no mar tentando fazer a travessia.

Alguns dos menores foram separados de seus pais e, na audiência virtual, o juiz também ordenou que fossem reunidos novamente.

Os advogados de defesa cadastraram o grupo de imigrantes no Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), em Port of Spain, capital do país.

Na quarta (25), o primeiro-ministro Keith Rowley disse que o país está sob "ataque" de imigrantes ilegais "usando crianças inocentes".

Rowley questionou que, com base em tratados internacionais, "espera-se que uma pequena nação insular de 1,3 milhão de pessoas mantenha fronteiras abertas com um vizinho" de "34 milhões de pessoas, mesmo durante uma pandemia".

"Não sei se são 14, 10 ou 22. Só me oriento pelo que fui informado. Trinidad e Tobago fez o que deve fazer de acordo com a lei e os devolveu", disse Stuart Young, ministro de Segurança Nacional do país, na terça.

O governo do ditador Nicolás Maduro, solicitou, na quarta, uma reunião com as autoridades de Trinidad e Tobago para "rever questões de segurança, mobilidade humana, luta contra o crime e tráfico de drogas".

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