RIO - Presença constante nas primeiras posições dos rankings de felicidade e qualidade de vida, os países nórdicos convivem cada vez mais com a ameaça do terrorismo e da violência. Destino de imigrantes das mais diversas partes do mundo, a Suécia foi citada pelo presidente americano, Donald Trump, como um exemplo dos perigos de uma abordagem receptiva a refugiados. O episódio foi ironizado ao redor do planeta, mas ontem, logo após o ataque no centro de Estocolmo, o governo sueco anunciou reforços nas fronteiras e restringiu o trânsito na Ponte Oresund, que liga o país à Dinamarca.
— O comentário de Trump foi algo completamente exagerado, mas mesmo com estatísticas mostrando que os níveis de criminalidade estão caindo, a sociedade sueca tem a sensação de que a violência aumentou, especialmente no que diz respeito a confrontos entre gangues — contou ao GLOBO a jornalista Mariela Melin, da Sveriges Radio, a rádio estatal sueca. — No entanto, não vejo ligações entre isso e o atentado em Estocolmo.
O ataque no centro da capital sueca ligou o alerta também nas nações vizinhas. Na Noruega, a polícia recebeu instruções para usar armas de fogo nos aeroportos e nas ruas da capital, Oslo. Medidas semelhantes foram adotadas em Helsinque, capital da Finlândia, que também reforçou a segurança nas fronteiras e aeroportos do país.
A Dinamarca frustrou diversas tentativas de ataques terroristas na década passada, após a publicação de charges retratando o profeta Maomé pelo diário “Jyllands-Posten”, em 2005. Ao todo, 13 pessoas foram presas em duas operações em 2007 e 2010. Em 2015, Omar Abdel Hamid El-Hussein, um dinamarquês ligado ao Estado Islâmico, realizou uma série de atentados que deixaram dois mortos e sete feridos em Copenhague. Na Finlândia, Petri Gerdt, um engenheiro químico de 19 anos, matou seis pessoas e feriu outras 166 ao detonar uma bomba num shopping center na cidade de Myyrmanni, em 2002.
Já a Noruega tem um histórico de ações terroristas maior que o dos vizinhos. Além de diversas ações frustradas pela polícia, o país foi palco do massacre perpetrado por Anders Behring Breivik, simpatizante da extrema-direita que em julho de 2011 matou 77 pessoas — oito na explosão de um carro-bomba em Oslo, e outras 69 baleadas na Ilha de Utoya.
— A Suécia se orgulha de sua imagem de país aberto, e temo que o ataque nos leve a adotar medidas semelhantes ao estado de emergência aplicado na França após os ataques em Paris — diz Mariela. — Não podemos nos tornar uma sociedade fechada.

