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Repressão gera cisões nas Forças Armadas venezuelanas

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BUENOS AIRES - As informações sobre a perseguição a militares venezuelanos — que estariam se rebelando contra a ordem de reprimir manifestações opositoras — circulam com cada vez mais intensidade na Venezuela. De acordo com a agência Reuters, no começo de abril, quando começou a onda de protestos contra o governo do presidente Nicolás Maduro, 14 militares foram detidos, acusados de rebelião e traição e levados para a prisão de Ramo Verde, onde está o líder opositor Leopoldo López.

O governador do estado de Miranda, Henrique Capriles, já denunciara a prisão de 85 oficiais da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), segundo ele, “por terem expressado seu desagrado” em relação à violenta repressão a manifestantes.

Não existem números oficiais, mas o que está claro na Venezuela é que o clima dentro da FANB é de extrema tensão.

— Hoje o que temos são muitas especulações, mas pouca informação sobre o que está acontecendo no âmbito militar. Temos mais generais do que soldados, e o grau de decomposição é tão grande que ninguém sabe, exatamente, qual é a situação lá dentro — disse ao GLOBO o ex-militar José Machillanda, especialista em sociologia militar e professor da Universidade Simón Bolívar.

Para ele, “a FANB é hoje um corpo ingovernável”.

As críticas e denúncias por violações dos direitos humanos cometidas pelos militares levaram o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, a se pronunciar novamente.

— Não quero ver um Guarda Nacional cometendo uma atrocidade na rua — declarou, num dia em que circularam vídeos nas redes sociais mostrando agentes da Polícia Nacional Bolivariana e da Guarda Nacional agredindo pessoas e roubando. — Quem se afastar da linha do Estado, do respeito aos direitos humanos e não se comportar como um profissional deverá assumir sua responsabilidade.

A pressão internacional é cada vez maior. Na terça-feira, a embaixadora americana nas Nações Unidas, Nikki Haley, defendeu a saída da Venezuela do Conselho de Direitos Humanos da ONU:

— Se a Venezuela não pode abordar as violações dos direitos humanos no país deve renunciar voluntariamente a seu lugar no Conselho de Direitos Humanos até colocar a casa em ordem.

O Papa Francisco receberá na quinta-feira uma delegação da Conferência Episcopal Venezuelana integrada, entre outros, pelos cardeais Baltazar Porras e Jorge Urosa, dois antigos críticos do chavismo e hoje inimigos de Maduro. O Papa recebeu recentemente o presidente da Assembleia Nacional (AN) Julio Borges, a quem pediu para não ser utilizado por nenhuma das partes do conflito que assola o país.

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