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Representantes dos trabalhadores barram plano de reestruturação da Volkswagen, dizem fontes

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Representantes dos trabalhadores barram plano de reestruturação da Volkswagen, dizem fontes
Representantes dos trabalhadores barram plano de reestruturação da Volkswagen, dizem fontes

Por Rachel More e Christina Amann

BERLIM, 10 Jul (Reuters) - Os poderosos representantes dos trabalhadores da Volkswagen bloquearam um amplo plano de reestruturação da companhia, disseram duas fontes da empresa à Reuters nesta sexta-feira, ressaltando o desafio que o presidente-executivo da companhia, Oliver Blume, enfrenta para reformular a maior montadora da Europa.

Blume busca tornar o grupo alemão mais enxuto em um momento em que a empresa enfrenta uma concorrência cada vez maior da China, bilhões de euros em custos relacionados às tarifas dos Estados Unidos e preocupações com a competitividade de suas fábricas na Alemanha.

Mas a estrutura de governança da Volkswagen, que concede aos representantes dos sindicatos e ao Estado da Baixa Saxônia a maioria no conselho de supervisão, torna a tomada de decisões mais complexa.

Em uma reunião do conselho de supervisão realizada na quinta-feira, o colegiado votou por 12 votos a 7 contra a proposta de reestruturação apresentada pela administração, após a oposição dos representantes dos trabalhadores, disseram as fontes.

Evidenciando a pressão sobre a companhia, a Volkswagen informou nesta sexta-feira uma queda de 8,6% nas entregas do segundo trimestre, a maior retração em quatro anos.

ANALISTAS DIZEM QUE PLANO CARECE DE DETALHES

A Volkswagen divulgou um comunicado após a reunião do conselho, mas analistas afirmaram que o "plano para o futuro" apresentado carece de detalhes e demonstra a dificuldade da administração em implementar medidas mais duras.

Fontes familiarizadas com o assunto haviam informado anteriormente que a proposta de Blume incluía a eliminação de até 100 mil empregos em todo o grupo e o possível fechamento de quatro fábricas na Alemanha.

No comunicado divulgado no fim da quinta-feira, a Volkswagen não fez qualquer menção a cortes de empregos ou fechamento de fábricas. Em vez disso, reiterou metas já conhecidas para reduzir a complexidade da empresa, medidas que não exigiam aprovação do conselho de supervisão.

Analistas do Jefferies afirmaram que "não há indicação de progresso rumo a um acordo". Já analistas da Bernstein disseram que o plano está "repleto de ideais, mas muito pobre em medidas concretas".

Alguns analistas, no entanto, receberam positivamente os planos de simplificação, que incluem reduzir a capacidade global de produção de 10 milhões para 9 milhões de veículos por ano e diminuir o número de modelos em até 50%.

A reestruturação reformularia gradualmente um portfólio de marcas que inclui as fabricantes de grande volume Volkswagen e Skoda, a fabricante de carros esportivos Porsche e a marca de luxo Lamborghini.

TRABALHADORES EXIGEM CLAREZA APÓS PROTESTOS EM TODA A ALEMANHA

O maior sindicato industrial da Alemanha, o IG Metall, realizou manifestações em unidades do Grupo Volkswagen em todo o país nesta quinta-feira, pedindo que a administração apresente uma estratégia capaz de garantir a produção.

O conselho de trabalhadores exigiu esclarecimentos sobre os planos de redução de custos da empresa até o fim desta sexta-feira. Em uma carta aos funcionários, alertou: "o segundo semestre será difícil."

O atual acordo trabalhista da Volkswagen prevê uma trégua em relação a greves, mas os sindicatos ameaçaram intensificar as ações industriais caso a administração tente rever os compromissos assumidos sobre segurança no emprego.

Apesar das tensões, ambos os lados concordam quanto à dimensão dos desafios enfrentados pela Volkswagen, cujas margens de lucro caíram pela metade nos últimos cinco anos devido à fraqueza do mercado chinês, aos custos da eletrificação e às tarifas comerciais.

O chanceler conservador da Alemanha, Friedrich Merz, que aparece atrás do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) nas pesquisas de opinião, prometeu implementar reformas para aumentar a competitividade do país.

"Todos os envolvidos têm plena consciência de que a Volkswagen e a indústria automobilística como um todo enfrentam atualmente uma situação crítica, em um ambiente internacional de competição extremamente desafiador", afirmou Olaf Lies, primeiro-ministro do Estado da Baixa Saxônia.

Fontes familiarizadas com o assunto disseram que a Baixa Saxônia, onde fica a sede da Volkswagen em Wolfsburg, tentou intermediar um compromisso durante as discussões do conselho de supervisão.

Segundo uma das fontes, o governo estadual chegou a planejar apresentar sua própria proposta, mas a ideia acabou sendo abandonada. A fonte não forneceu mais detalhes.

O governo da Baixa Saxônia se recusou a comentar o assunto.

(Por Rachel More e Christina Amann; reportagem adicional de Alexander Huebner)

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