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Radicais catalães querem independência unilateral

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MADRI E WASHINGTON — De um lado o governo espanhol, de outro, as alas mais radicais do separatismo catalão. O presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, voltou a ser pressionado na sexta-feira a proclamar a independência de forma unilateral pelo partido de esquerda radical CUP, aliado-chave do governo regional. Em carta, a CUP pediu a Puigdemont que retire a suspensão da declaração diante da ameaça de Madri de acabar com parte da autonomia da região. A legenda, fundamental para a manutenção do governo independentista, é parte de uma coalizão de conservadores e progressistas.

“Apenas com a proclamação da república seremos capazes de respeitar o que a maioria expressou nas urnas”, afirmou a CUP em carta ao presidente regional, em referência ao referendo de autodeterminação de 1º de outubro. “Se pretendem continuar aplicando o Artigo 155 da Constituição e querem continuar nos ameaçando ou amordaçando, que o façam com uma República já proclamada.”

Um dia antes, a influente Assembleia Nacional Catalã, que organizou várias manifestações nacionalistas nos últimos anos, fez uma advertência similar. “Diante da negativa do Estado espanhol a qualquer proposta de diálogo, não faz nenhum sentido manter suspensa a declaração de independência”, disse, em comunicado.

Madri deu um prazo até segunda-feira para que Puigdemont esclareça se proclamou ou não a independência. Em caso afirmativo, ameaça aplicar o Artigo 155 da Constituição, que permite interferir no governo regional. E aumentando a pressão sobre o líder catalão, o governo central alertou ontem que a crise pode prejudicar o crescimento econômico em 2018. Nos últimos dias, diante da incerteza política, várias empresas de renome retiraram a sede social da Catalunha, como os bancos CaixaBank e Sabadell, a Gas Natural, a Abertis e a editora Planeta.

— Vamos ter uma taxa de crescimento inferior, que estamos acabando de estimar durante este fim de semana; inferior à que tínhamos projetado inicialmente para 2018, que era de 2,6% — afirmou o ministro espanhol da Economia, Luis de Guindos, em Washington, sem especificar quanto poderia cair.

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