SÃO PAULO, SP (UOL-FOLHAPRESS) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, presenteou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com uma nova "jaqueta" tradicional andina, conhecida como liqui liqui. O traje foi entregue a Lula ontem na cerimônia de posse.
Lula já tinha uma jaqueta em estilo similar, que também recebeu de Morales os detalhes em lã, no entanto, são diferentes da nova peça. Ao longo de 2022, Lula usou o liqui liqui em eventos de campanha.
O QUE É O LIQUI LIQUI?
- Apesar de ter sido popularizada pelo presidente da Bolívia, o liqui liqui é uma vestimenta típica da Venezuela, originalmente usada como traje de gala na região dos llanos venezuelanos (Estados Guárico, Barinas, Cojedes e Portuguesa).
- É um traje usado para comemorar festas e danças de joropo (dança típica venezuelana).
- A vestimenta simboliza a figura do llanero (homem do campo), do caudilho (chefe político ou militar) e carrega uma identidade nacionalista.
- O traje e a própria palavra "liqui liqui" têm origem incerta, mas acredita-se que pode ter vindo da China ou da Europa, como derivação de um uniforme francês chamado liquette.
- Normalmente o "liqui liqui" é feito de algodão ou linho, para climas frios, como o da região dos Andes. É composto por três peças: calça, alpargatas e jaqueta com 5 ou 6 botões e sem gola.
- Originalmente o "liqui liqui" é de cor branca ou bege. Antigamente, era considerado uma vestimenta masculina, mas atualmente é usada também por mulheres.
O "liqui liqui" foi declarado traje típico de Venezuela no ano de 2017 por meio de uma resolução oficial.
TRAJE UTILIZADO POR LÍDERES DE ESQUERDA
A "jaqueta" ficou mundialmente conhecida desde que o presidente boliviano Evo Morales começou a usar o traje estilizado feito pela estilista Beatriz Canedo Patiño, conhecida como a Rainha da Alpaca.
Além de Lula e Evo Morales, outros líderes da esquerda latina já usaram o traje, como Pedro Castillo, ex-presidente do Peru, e Nicolás Maduro, presidente da Venezuela. Também foi a roupa escolhida por Hugo Chávez, ex-presidente venezuelano, quando saiu da prisão em 1994.
Quem também escolheu a roupa campesina em uma ocasião de gala foi o escritor colombiano Gabriel García Márquez, para receber o prêmio Nobel, em 1982.
Popularizado por Morales, o traje era também produzido pelo alfaiate Manuel Sillerico, em sua loja localizada no centro de La Paz. Para criar um estilo próprio e autêntico, tecidos do altiplano boliviano foram adaptados ao "liqui liqui".
A vestimenta campesina, estilizada com tecidos originários andinos, virou uma marca de Morales, que presenteou o "liqui liqui" a vários outros líderes mundiais.



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