Por Olivia Le Poidevin
GENEBRA, 24 Jun (Reuters) - O Comitê Olímpico Internacional (COI) aprovou nesta quarta-feira as emendas à Carta Olímpica propostas pela diretoria executiva, com o objetivo de reforçar a neutralidade política do esporte.
As alterações reforçam a redação que enfatiza que o esporte deve estar livre de interferências políticas. Uma delas destaca o papel do COI em garantir a neutralidade “em todos os momentos, livre de pressões governamentais, culturais, sociais ou econômicas”.
O comitê também aceitou alterações relativas ao programa esportivo olímpico, o que significa que disciplinas individuais, em vez de esportes como um todo, serão avaliadas para seleção para participação nos Jogos de Verão e de Inverno, a partir dos Jogos de Brisbane em 2032.
As decisões sobre quais esportes serão incluídos serão tomadas nos próximos meses, ou, no máximo, até o início do próximo ano, de acordo com o COI.
O COI afirma que as reformas de neutralidade têm como objetivo proteger os atletas e as competições de influências externas e impedir que os Jogos Olímpicos sejam utilizados para fins políticos.
“Esse compromisso visa proteger o que torna os Jogos Olímpicos únicos: unir o mundo por meio do esporte e da competição pacífica”, disse a presidente do COI, Kirsty Coventry.
Questionada se a decisão abria caminho para a eventual participação plena dos atletas russos, Coventry disse que o COI precisa de tempo para entender como a mudança seria implementada em relação aos atletas.
Críticos afirmaram, antes da reunião, que a mudança poderia enfraquecer as barreiras ao retorno total da Rússia ao esporte internacional e corria o risco de minar o movimento olímpico.
Os atletas russos enfrentaram sanções devido a um escândalo de doping apoiado pelo Estado, ligado aos Jogos de Inverno de Sochi de 2014, enquanto o COI recomendou, em 2022, que atletas russos e bielorrussos fossem banidos das competições após a invasão da Ucrânia.
O Comitê Olímpico Russo foi suspenso em outubro de 2023 após reconhecer conselhos olímpicos regionais em áreas da Ucrânia ocupadas pela Rússia, o que, segundo o COI, viola a Carta Olímpica e a integridade territorial da Ucrânia.
No mês passado, o COI suspendeu todas as restrições aos atletas bielorrussos, abrindo caminho para que eles retornem a eventos internacionais, incluindo as eliminatórias para as Olimpíadas de Los Angeles de 2028.
Tem havido cada vez mais especulações de que uma decisão semelhante poderia ser tomada em relação à Rússia nos próximos meses.
O ministro do Esporte e presidente do comitê russo, Mikhail Degtyarev, afirmou em abril que a Rússia está “fazendo todo o possível” para garantir o retorno total de seus atletas às competições internacionais.
(Reportagem de Olivia Le Poidevin)




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