NEWARK, NOVA JERSEY, 11 Ago (Reuters) - O secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, afirmou nesta terça-feira que está trabalhando para resolver os problemas identificados nas telecomunicações após um helicóptero militar que transportava o presidente Donald Trump passar muito perto de um avião de passageiros que decolava do Aeroporto Nacional Reagan de Washington.
O incidente levantou dúvidas sobre por que o avião de passageiros foi autorizado a decolar enquanto o “Marine One” estava nas proximidades, momento em que o tráfego comercial costuma ser suspenso.
Nos últimos anos, os Estados Unidos têm enfrentado incidentes de aviação que levantaram preocupações quanto à segurança e à sobrecarga nas operações de controle de tráfego aéreo, que sofrem com a falta de pessoal.
Após um acidente ocorrido em janeiro de 2025 entre um helicóptero militar e um jato comercial que matou 67 pessoas, a Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) proibiu o tráfego misto de helicópteros e jatos nas proximidades do aeroporto.
“Houve alguns problemas de telecomunicações”, disse Duffy a jornalistas no Aeroporto Internacional Newark Liberty, explicando que os problemas ocorreram em nível operacional, entre a equipe do Marine One e a FAA.
“Isso já foi levado a um nível superior”, disse, acrescentando que está trabalhando com a FAA em uma solução em conjunto com a Casa Branca.
Duffy e o administrador da FAA, Bryan Bedford, falaram à imprensa no aeroporto de Nova Jersey durante um evento que marcou a instalação de um novo radar de movimento em superfície para melhorar a segurança nas pistas. Duffy disse que o radar oferece aos controladores de tráfego aéreo uma tecnologia mais avançada para visualizar aeronaves e veículos em solo.
“É um sistema mais robusto”, disse.
“Ele ajuda os controladores em uma noite escura ou em condições climáticas adversas, quando não conseguem enxergar da torre o que está acontecendo na pista”, acrescentou Duffy.
Em março, um jato da Air Canada Express colidiu com um caminhão de bombeiros ao pousar no Aeroporto LaGuardia, em Nova York, matando os dois pilotos, ferindo dezenas de pessoas e fechando o aeroporto.
Bedford disse que 53 radares de movimento em superfície serão instalados em 44 dos aeroportos mais movimentados do país.
FAA CONTRATA CONTROLADORES
A FAA está contratando milhares de controladores de tráfego aéreo e gastando bilhões para substituir a infraestrutura de telecomunicações de controle de tráfego aéreo e os sistemas de vigilância por radar obsoletos, após uma série de falhas, incluindo interrupções significativas que afetaram o tráfego em Newark e Washington.
Aproximadamente 4.000 controladores estão passando por treinamento e a FAA contratou mais 2.000 que receberão treinamento em breve, de acordo com um porta-voz do Departamento de Transportes.
Cerca de 75 candidatos, dentre milhares de inscrições recebidas durante a campanha do departamento para contratar jogadores de videogame, estão recebendo treinamento.
Bedford afirmou que é necessário um maior investimento na aviação, diante da expectativa de crescimento do tráfego nas próximas duas décadas.
“Vamos transportar um bilhão de passageiros neste ano -- um bilhão em quase 18 milhões de trajetórias de voo por todo o país”, disse Bedford. “Nos próximos 20 anos, veremos esse número dobrar para 2 bilhões de passageiros.”
Duffy disse que gostaria de US$20 bilhões adicionais, mas se contentaria com US$10 bilhões para torres de controle de aeroportos, em um momento de reclamações constantes sobre a infraestrutura, caso de telhados com goteiras construídos nas décadas de 1960 e 1970.
“Espero que até o final deste ano consigamos isso”, disse Duffy.
O Departamento de Transportes ainda planeja lançar uma série de vídeos na web sobre a viagem de Duffy pelos Estados Unidos financiada por doadores corporativos.
Em junho, seis senadores democratas solicitaram uma investigação do governo sobre a viagem.
(Reportagem de Doyinsola Oladipo, em Newark; reportagem adicional de Allison Lampert,em Montreal)



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