ST. LOUIS, EUA — Pelo segundo dia consecutivo, manifestantes protestaram ontem em St. Louis, no Missouri, contra a decisão de um juiz de absolver, na última sexta-feira, o ex-policial branco Jason Stockley pela morte de Anthony Lamar Smith, um jovem negro de 24 anos, em dezembro de 2011. A marcha deste sábado foi num shopping center e pediu, principalmente, a participação da população branca nas manifestações contra incidentes de racismo envolvendo a polícia. Os protestos levaram a banda U2 a cancelar um show em St. Louis, após a irrupção de violência na noite de sexta-feira, em que confrontos entre policiais e manifestantes deixaram 32 presos.
— Me sinto desamparada e com raiva — afirmou Susanna Prins, uma universitária branca de University City, carregando um cartaz com os dizeres: “O silêncio branco é violência”. — Não fazer ou dizer nada faz de você um cúmplice na brutalização de nossos amigos e vizinhos.
Há semanas, ativistas ameaçavam realizar ações de desobediência civil caso Stockley fosse absolvido. O ex-policial — ele deixou a polícia em 2013, após o incidente — optou por um julgamento sem júri, e disse ter visto Smith segurar um revolver ao fugir da polícia, afirmando que atirou devido ao “perigo iminente”. O ex-policial foi acusado de assassinato em primeiro grau em maio de 2016, cerca de quatro anos e meio após o incidente.
Promotores afirmam que Stockley plantou a arma no carro de Smith após o tiroteio, uma hipótese baseada no fato de que o DNA do ex-policial estava no revólver, mas o da vítima não. Um vídeo capturado pela câmera da viatura mostra Stockley usando termos racistas e afirmando que mataria Smith antes de disparar cinco vezes contra o jovem. Segundo o advogado do ex-policial, as palavras foram “fruto de emoções humanas durante uma perseguição perigosa”. Na sentença, o juiz Timothy Wilson destacou que os comentários de Stockley “podem ser ambíguos, dependendo do contexto”.
— Me solidarizo com a família de Smith, entendo o que eles estão passando e sei que todos querem alguém para culpar, mas não sou culpado — afirmou Stockley, que se mudou para Houston, no Texas.
A cidade, segunda maior no estado do Missouri, foi palco de enormes protestos e grande tensão racial em agosto de 2014, quando o adolescente negro Michael Brown foi baleado pelo policial Darren Wilson em Ferguson, uma pequena cidade nas proximidades de St. Louis. Temendo uma repetição dos protestos, as autoridades prepararam barricadas, isolando a sede da força policial e prédios públicos. Assim como Stockley, Wilson foi absolvido das acusações. O Departamento de Justiça americano concluiu que ele baleou Brown em legítima defesa.

