Por Ahmed Rasheed e Aref Mohammed
BAGDÁ, 8 Mar (Reuters) - A produção de petróleo do Iraque nos principais campos petrolíferos do sul caiu 70%, para apenas 1,3 milhão de barris por dia, já que o país não consegue exportar petróleo pelo Estreito de Ormuz devido à guerra com o Irã, disseram três fontes do setor neste domingo.
A produção dos campos estava em torno de 4,3 milhões de bpd antes da guerra.
"O armazenamento de petróleo bruto atingiu a capacidade máxima e a produção restante após o grande corte será usada para abastecer as refinarias do país", disse um funcionário da estatal Basra Oil Company (BOC), que gerencia as operações de produção e exportação dos campos do sul.
O Estreito de Ormuz, uma via navegável estreita e estrategicamente vital entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, é uma das rotas críticas de escoamento de petróleo do mundo, transportando cerca de um quinto dos fluxos globais de petróleo e gás natural liquefeito.
As exportações do Iraque, que é membro da Opep, também caíram drasticamente para uma média de cerca de 800.000 barris por dia neste domingo, com apenas dois navios-tanque carregando porque as embarcações não podem se mover livremente através do estreito para os terminais do sul do Iraque, disse a fonte.
Sem novos navios-tanque capazes de chegar aos terminais do sul do Iraque, a expectativa é de que as exportações locais parem completamente por volta das 20h, horário local, disseram duas autoridades do setor de petróleo com conhecimento direto das operações do terminal.
As exportações de petróleo do Iraque a partir dos campos petrolíferos do sul somaram 3,334 milhões de barris por dia em fevereiro, segundo um documento do Ministério do Petróleo.
Uma queda na produção e nas exportações de petróleo do Iraque deverá prejudicar as já frágeis finanças do país, já que o Estado depende das vendas de petróleo bruto para quase todos os gastos públicos e mais de 90% de sua renda.
"Essa é a mais séria ameaça operacional que o Iraque enfrentou em mais de 20 anos", disse um autoridade de alto escalão do Ministério do Petróleo iraquiano.
(Reportagem de Ahmed Rasheed em Bagdá e Aref Mohammed em Basra)

