ASSUNÇÃO — O presidente do Paraguai, Horacio Cartes, anunciou nesta segunda-feira sua desistência em concorrer à reeleição. No início do mês, legisladores haviam aprovado, a portas fechadas, uma emenda constitucional para possibilitar que o presidente continuasse no poder. Rapidamente, a decisão provocou uma onda de protestos violentos pelo país, sobretudo na capital Assunção, em que morreu um jovem ativista da oposição e o Congresso Nacional foi incendiado.
“Espero que este gesto de renúncia sirva à aprofundação do diálogo digirido ao fortalecimento institucional da República, em harmônica convivência entre os paraguaios”, disse, em nota, o presidente.
Cartes afirma que se inspirou na mensagem do Papa Franciso no último dia 2 de abril. Na ocasião, o pontífice pediu que todos os atores políticos evitassem qualquer tipo de violência e buscassem soluções políticas.
A alteração originalmente aprovada pelos legisladores permitiria que presidentes e vice-presidentes se candidatassem de forma contínua ou alternada. Ou seja, tanto Cartes, como o ex-presidente Fernando Lugo, destituído após um impeachment em 2012, poderiam concorrer novamente em 2018 a mais cinco anos de Presidência.
Após a aprovação do Senado, o projeto deveria ser votado na Câmara dos Deputados, que tem maioria de apoiadores de Cartes. Se a Casa votasse à favor da lei, o Superior Tribunal de Justiça Eleitoral do Paraguai convocaria um referendo para que os cidadãos finalmente decidissem sobre a reeleição.
A reeleição presidencial foi proibida pela Constituição paraguaia promulgada em 1992, apenas três anos depois de o país ter se livrado da ditadura militar comandada pelo general Alfredo Stroessner, em 1989.

