Por Nidal al-Mughrabi e Dawoud Abu Alkas
CAIRO/GAZA, 16 Set (Reuters) - Equipes de resgate de Gaza vasculhavam nesta quarta-feira escombros de um prédio de apartamentos bombardeado que desabou durante a madrugada, matando pelo menos 16 palestinos, incluindo crianças, e deixando dezenas de outras pessoas presas sob os escombros.
Dezenas de milhares de palestinos vivem em cerca de 2.000 prédios danificados por ataques aéreos israelenses em toda a Faixa de Gaza.
Equipes de resgate da defesa civil informaram que pelo menos 16 pessoas, incluindo cinco crianças, morreram e outras 14 ficaram feridas quando o prédio de sete andares desabou. Acredita-se que quase 100 pessoas estejam sob os escombros.
Um vídeo obtido pela Reuters mostra socorristas tentando retirar duas pessoas debaixo de uma parede caída. Outro vídeo nas redes sociais mostrava o porta-voz da defesa civil de Gaza, Mahmoud Basal, carregando uma menina, enrolada em um lenço manchado de sangue.
Raed Al-Dahshan, diretor do serviço de defesa civil da Cidade de Gaza, disse que pelo menos 10 famílias moravam no prédio que desabou e que ainda havia esperança de encontrar sobreviventes.
“Ainda estamos ouvindo vozes debaixo dos escombros”, afirmou Dahshan.
Alessandro Mrakic, chefe do escritório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Gaza, disse que algumas agências da ONU estavam participando dos esforços de resgate, que ele descreveu como difíceis devido à falta de maquinário adequado. A agência de assistência humanitária do Egito também estava ajudando.
“A situação, como vocês podem ver, é trágica porque não temos o equipamento e o maquinário necessários. Por isso, há pessoas cavando com as próprias mãos”, disse Mrakic.
“Há aproximadamente 400 prédios em risco de desabamento. E sabemos que esses prédios vão desabar, especialmente agora com a aproximação do inverno”, acrescentou ele, referindo-se ao impacto potencial das chuvas.
Autoridades palestinas e da ONU atribuem a falta de maquinário pesado às restrições impostas por Israel a Gaza. Israel afirma que suas restrições têm como objetivo impedir que o equipamento caia nas mãos de militantes.
“A tragédia de hoje ressalta os graves riscos enfrentados pelas famílias que vivem nessas estruturas e a necessidade urgente de alternativas mais seguras. Ninguém deveria ter que arriscar a vida simplesmente para encontrar um lugar seguro onde se abrigar”, disse Ramiz Alakbarov, coordenador humanitário da ONU para o Território Palestino Ocupado.
O ataque de Israel a Gaza — iniciado após a ofensiva mortal do Hamas a Israel em outubro de 2023 — gerou cerca de 61 milhões de toneladas de escombros e destroços, cuja remoção pode levar sete anos, segundo as Nações Unidas.



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