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Preços do cacau despencam na bolsa ICE; café também cai

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Preços do cacau despencam na bolsa ICE; café também cai
Preços do cacau despencam na bolsa ICE; café também cai

Por May Angel e Marcelo Teixeira

NOVA YORK, 13 Jul (Reuters) - Os contratos futuros do cacau despencaram quase 10% durante o pregão da bolsa ICE nesta segunda-feira, antes de recuperarem parte das perdas, enquanto o café também fechou em baixa, com o mercado permanecendo volátil depois que uma onda de capital especulativo em busca de investimento atingiu os dois contratos na semana passada.

O cacau na ICE de Londres fechou em baixa de £149, ou 3,3%, a £4.350 por tonelada métrica, após encerrar em queda de 6,4% na sexta-feira, embora ainda tenha registrado ganhos semanais de 20%. O cacau em Nova York caiu 3,7%, fechando a US$5.842 por tonelada.

Motivados em parte por preocupações de que o fenômeno climático El Niño se intensifique e leve a condições meteorológicas cada vez mais adversas, os especuladores apostaram fortemente na alta dos preços do cacau e do café no início da semana passada.

Em uma tentativa de reduzir o risco de inadimplência causado pelo aumento repentino dos preços, a bolsa ICE passou a elevar repetidamente as margens ou os requisitos de adiantamento nas negociações.

O aumento dos adiantamentos limitou, então, a liquidez no mercado de cacau e café e, por sua vez, aumentou a volatilidade dos preços, com menos participantes no mercado disponíveis para impulsionar os movimentos dos preços.

"Fundamentalmente, você pode acreditar que o mercado está muito alto ou muito baixo. Mas o caminho que os preços percorrem para chegar lá é cada vez mais dominado pelo posicionamento, pela liquidez e pelos fluxos de capital, e não apenas pelos fundamentos", disse Dave Behrends, diretor de operações da Sucafina.

Os corretores afirmaram que os "turistas do cacau" -- ou day-traders especulativos que seguem sinais técnicos -- estão se tornando cada vez mais ativos no mercado de cacau, na tentativa de lucrar com a volatilidade.

Olhando além, os corretores afirmaram que o cacau deve continuar subindo de maneira geral, com até mesmo os sinais técnicos de negociação indicando que a queda das duas últimas sessões é corretiva dentro de uma tendência mais ampla de recuperação.

Os fundamentos, por sua vez, continuam "altistas". A próxima safra principal de 2026/27 da Costa do Marfim, maior produtora de cacau, deve cair mais de 10% em meio a cuidados insuficientes com as plantações e chuvas excessivas associadas ao El Niño.

O café arábica na ICE fechou em queda de 4,25 centavos, ou 1,3%, a US$3,3 por libra-peso. O contrato disparou 16% na última segunda-feira, despencou na terça, caiu na quarta e ainda assim conseguiu fechar a semana com alta de 11%. O café robusta caiu 0,5%, para US$3.834 por tonelada.

O Centro de Previsão Climática dos EUA previu 81% de chance de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro, que se classificaria entre os maiores já registrados. O fenômeno climático já trouxe chuvas excessivas ao Brasil, maior produtor de café, e retardou a colheita atual.

Em outras commodities agrícolas, o preço do açúcar bruto fechou em queda de 0,13 centavo, ou 0,9%, a 14,75 centavos por libra-peso, após ter atingido uma máxima em quase dois meses na semana passada, enquanto o preço do açúcar branco caiu 0,9%, para US$463,10 por tonelada.

(Reportagem de May Angel e Marcelo Teixeira)

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