BARCELONA – A polícia regional da Catalunha vai remover pessoas que estiverem em seções eleitorais abertas para o referendo deste domingo sobre a independência desta região da Espanha, informou uma fonte do governo espanhol. Segundo esta fonte, caberá à própria polícia decidir como vai retirar as pessoas destes locais, e os voluntários que estiverem trabalhando no referendo estarão sujeitos a multas de até 300 mil euros (cerca de R$ 1,12 milhão).
Enquanto isso, a própria polícia regional da Catalunha fez um ultimato aos pais, alunos e ativistas que estão ocupando escolas na região para usá-las como centros de votação no referendo. O Tribunal Constitucional espanhol suspendeu a votação há mais de três semanas e polícia recebeu instruções para impedir o referendo. O governo catalão, no entanto, afirma que seguirá adiante de qualquer jeito e instou os 5,3 milhões de eleitores registrados a participar.
Quim Roy, pais de duas meninas, contou que os agentes disseram às poucas dezenas de pais e alunos da escola primária Congres-Indians que não podiam mostrar material de campanha a favor do polêmico referendo e que deviam abandonar o local até as 6h deste domingo.
- Decidimos em uma reunião que mandaríamos as crianças para casa. Chamá-los de escudos humanos é uma mentira enorme, mas tomei a decisão porque há medo. Quem sabe o que acontecerá se vier a Guarda Civil – disse Roy em alusão a uma das forças policiais espanholas.
Mas dependerá basicamente da atitude dos 17 mil integrantes da polícia regional da Catalunha, o “Mossos d’Esquadra”, que receberam as instruções de esvaziar os edifícios públicos, o êxito ou fracasso do referendo.
- A única coisa que tenho certeza é que não usarei de violência - disse Roy. - Se me disserem que não posso estar em uma escola pública para exercer meus direitos democráticos, terei que sair daqui. Não resistirei, mas terão que me carregar para fora daqui.
Outra questão importante é se o governo catalão terá condições de distribuir urnas e cédulas suficientes nos centros de votação. Até agora, a polícia já confiscou milhões de cédulas que seriam usadas na consulta popular. Segundo Roy, na escola Congres-Indians ainda não havia nem urnas nem cédulas neste sábado e, encolhendo os ombros, ele disse que elas “aparecerão” para a votação.

