MANCHESTER — A polícia britânica parou de compartilhar informações sobre o ataque de Manchester com os Estados Unidos, segundo fontes, após a polícia afirmar que vazamentos para a mídia americana colocaram a investigação em risco. Britânicos em todo Reino Unido fizeram um minuto de silêncio na manhã desta quinta-feira em homenagem ao 22 mortos e 64 feridos do atentado suicida na arena Manchester. Salman Abedi, um britânico de origem líbia, detonou seus explosivos no fim do show da cantora pop americana Ariana Grande. Até o momento, oito pessoas — incluindo o pai e dois irmãos do autor do ataque — foram presas no âmbito das investigações.
A decisão de parar de compartilhar informações da polícia com agências americanas é um passo extraordinário, uma vez que o Reino Unido vê os Estados Unidos como seu aliado mais próximo em segurança e Inteligência.
— Será assim até o momento em que tivermos garantias de que não haverá nenhuma outra divulgação não autorizada — disse a fonte das forças antiterrorismo, sob condição de anonimato.
A ministra do Interior do Reino Unido, Amber Rudd, chamou de irritante o vazamento de informações. A imprensa britânica informou que a primeira-ministra Theresa May abordará a questão com o presidente Donald Trump na reunião de cúpula da Otan nesta quinta-feira em Bruxelas.
O protesto acontece depois que a imprensa americana divulgou o nome do autor do atentado antes das autoridades britânicas. E, na quarta-feira, o jornal “New York Times” publicou fotos dos vestígios da bomba utilizada na Manchester Arena na segunda-feira.
A praça Saint Ann, em Manchester, principal local dos tributos, reuniu centenas de pessoas para o minuto de silêncio realizado às 11h (horário local).
De acordo com a TV britânica, a rainha Elizabeth II visitou o centro pediátrico Royal Manchester Children's Hospital, onde estão internados alguns feridos do atentado. A soberana já havia observado um minuto de silêncio na terça-feira, antes de uma recepção no jardim do Palácio de Buckingham, em homenagem às vítimas.
A investigação para desmantelar a célula responsável pelo atentado prossegue e mais dois homens foram detidos nesta quinta-feira na região de Manchester, o que eleva a oito o número de detidos.
A polícia ainda busca um suspeito fabricante de bombas que pode ter fornecido o artefato a Abedi, de 22 anos. O atentado em Manchester foi o mais mortal no Reino Unido desde os ataques contra os transportes públicos de Londres reivindicados pela al-Quaeda em 2005, que deixaram 52 mortos e 700 feridos.
Depois do ataque em Manchester — o segundo no Reino Unido em dois meses — o país continua em alerta. Nesta quinta-feira, uma equipe do esquadrão antibomba, o Exército e a polícia foram enviados ao sul de Manchester após “uma ligação”. Um pacote suspeito encontrado no local foi considerado seguro.
“Houve um isolamento em Hulme, não Trafford como indicado inicialmente, relacionado a um pacote suspeito. O pacote foi considerado seguro e o isolamento foi desfeito”, disse a polícia de Manchester em comunicado.
Mais cedo, a polícia havia dito que a própria polícia e o Exército estavam respondendo a um chamado de uma faculdade de Manchester.

