LIMA — Dezoito meses após ter se tornado presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski se vê sob pressão pelas suspeitas de seu envolvimento no escândalo de corrupção envolvendo a empreiteira brasileira Odebrecht. Ele é acusado de ter recebido propinas milionárias em troca de concessões à construtora, enquanto ocupava cargos no governo e em empresas privadas. Em resposta aos pedidos de renúncia pela oposição, o presidente negou que vá abandonar o governo ou se intimidar pelo caso, que afeta diversos países da América Latina.
Nesta semana, a Odebrecht reconheceu que pagou quase US$ 5 milhões para assessorar empresas vinculadas a Kuczynski entre 2004 e 2013. Nesta época, ele foi ministro da Economia e também presidente do Conselho de Ministros de Alejandro Toledo (2001-2006), a quem a construtora brasileira diz ter pagado US$ 20 milhões em troca da concessão de uma rodovia. Segundo a companhia, foram desembolsados US$ 29 milhões neste esquema entre 2005 e 2014 no Peru.
Do total pago pela construtora, US$ 782 mil foram entregues à Westfield Capital, firma de propriedade de Kuczynski à época que era ministro da Economia de Toledo. Outros US$ 4 milhões foram para a First Capital, empresa de um ex-sócio para a qual o atual presidente já trabalhou. Nas duas companhias, os contratos foram tratados por um de seus sócios, o chileno Gerardo Sepúlveda.
A Odebrecht está no centro do maior escândalo de corrupção da América Latina desde que admitiu subornar políticos em mais de dez países. A empreiteira não citou publicamente aqueles que teriam recebido propinas no Peru, mas prometeu colaborar com as autoridades para determinar quem participou de seus esquemas.
Em novembro, Kuczynski tinha negado os vínculos com a construtora brasileira, depois que o ex-diretor-executivo da empresa, Marcelo Odebrecht, disse aos promotores peruanos que o contratou para uma consultoria privada. Mas no último sábado, o presidente peruano admitiu ter de fato realizado consultoria por meio da empresa First Capital para o projeto H2Olmos, um consórcio integrado pela Odebrecht. E, en pronunciamento transmitido pela TV ao lado de integrantes de seu Gabinete e parlamentares de seu partido, Kuczynski reconheceu que era dono da empresa Westfield Capital, mas negou que a gerenciasse enquanto ocupava cargos públicos e negou irregularidades.
No entanto, a oposição do Peru deu um ultimato para que Kuczynski renuncie. Caso contrário, os parlamentares ameaçam pedir o seu impeachment através do Congresso. Para aprovar a sua saída, seriam necessários 87 votos dos 130 legisladores, um número que a oposição pode reunir com facilidade. O processo de destituição pode ter início já nesta sexta-feira.

