SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O povo ucraniano é o novo vencedor do Prêmio Sakharov, anunciou a União Europeia nesta quarta-feira (19), destacando alguns nomes importante do país desde a invasão da Rússia, incluindo o do presidente do país, Volodimir Zelenski. A escolha, já ventilada nas últimas semanas, reforça ainda mais a aliança entre o bloco europeu e Kiev.
Trata-se da maior honraria do bloco europeu a defensores de direitos humanos, e a entrega desta quarta representa o segundo ato simbólico contra o Kremlin em menos de duas semanas --no último dia 7, o Nobel da Paz foi compartilhado entre ONGs da Rússia e da Ucrânia que se opõem ao presidente Vladimir Putin. Na ocasião, o ativista Ales Bialiatski, preso hoje pela ditadura de Belarus, também foi laureado.
No ano passado, a União Europeia também confrontou o Kremlin ao destinar a premiação a Alexei Navalni, principal nome da oposição a Putin na Rússia.
Desde o início da invasão da Rússia na Ucrânia, 7,7 milhões de ucranianos entraram na Europa como refugiados, segundo as Nações Unidas; desses, 4,3 milhões já são alvos de políticas de proteção de países europeus. Mas ao longo dos últimos meses, algumas pessoas estão voltando ao país à medida que o conflito se concentra no leste ucraniano.
"Eles estão defendendo o que acreditam. Lutando por nossos valores. Protegendo a democracia, a liberdade e o estado de direito. Arriscando suas vidas por nós", disse a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, ao anunciar o vencedor do prêmio.
Paralelamente, uma publicação no site do órgão europeu destaca que "todos os dias, o povo da Ucrânia sofre com as atrocidades russas, devastação, destruição, perda de vidas, declínio social e econômico e outras dificuldades". A União Europeia também chama o governo russo de "regime brutal que procura minar a nossa democracia, enfraquecer e dividir a nossa união".
Foi no Parlamento europeu, aliás, que Zelenski protagonizou umas das cenas mais simbólicas da Guerra da Ucrânia. Ainda em março, o ucraniano foi aplaudido de pé após discursar no órgão --na ocasião, o intérprete que traduzia o discurso para o inglês se emocionou e precisou fazer pausas para recuperar o fôlego.
Além do presidente ucraniano, são citados no anúncio desta quarta os Serviços de Emergência da Ucrânia e o Faixa Amarela, movimento de oposição a Moscou fundado em Kherson -região anexada pela Rússia recentemente. Na mesma linha, a UE também menciona os nomes da paramédica Iulia Pajevska, do ex-prefeito de Melitopol Ivan Fedorov e da ativista Oleksandra Matvitchuk, também laureada com o Nobel da Paz no início do mês.
O Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento é oferecido pelo Parlamento Europeu desde 1988 a indivíduos ou organizações defensoras de direitos humanos e de liberdades fundamentais, e oferece 50 mil euros (R$ 258 mil) aos homenageados. O nome da honraria, aliás, também remete a seu caráter político: importante físico nuclear, Andrei Sakharov foi condenado ao exílio interno na década de 1980 após criticar a invasão soviética do Afeganistão.



