Por Philip Blenkinsop
BRUXELAS, 4 Nov (Reuters) - Parlamentares da União Europeia aprovaram, nesta quarta-feira, propostas para flexibilizar as metas do bloco relativas às emissões de veículos e às frotas corporativas, aliviando as exigências às montadoras para maximizar as vendas de veículos com emissão zero a partir de 2035.
A UE tinha o objetivo de encerrar as vendas de carros com motor de combustão interna até 2035. Porém, sob pressão do setor, a Comissão Europeia propôs, no final do ano passado, suavizar a meta para os carros para uma redução de 90% nas emissões de CO₂, com 10% compensados pelo uso de aço de baixo carbono e combustíveis alternativos.
A comissão de meio ambiente do Parlamento Europeu apoiou, em vez disso, uma proposta de três grupos partidários tradicionais para uma redução de 87,5%, com um complemento de 7,5% proveniente da produção com uso de aço de baixo carbono fabricado na UE, elevando a redução total para 95%.
Veículos elétricos de pequeno porte ou com alta eficiência energética também se qualificariam para os chamados "supercréditos", que facilitam o cumprimento dessas metas pelas montadoras.
O Partido Popular Europeu, maior grupo da assembleia, afirmou ter conquistado uma grande vitória para a indústria automotiva ao reverter a proibição dos motores de combustão.
A T&E, uma organização de campanha por transporte e mobilidade, afirmou que a votação foi mais um passo na direção errada e que permitir carros movidos a biocombustíveis deve desviar investimentos necessários na eletrificação e prejudicar a capacidade do setor automotivo da UE de competir com a China.
Após a votação da comissão nesta quarta-feira, o plenário do Parlamento Europeu deverá votar o pacote automotivo em dezembro. Isso definirá a posição do Parlamento para as negociações subsequentes com o Conselho, órgão que reúne os governos da UE, que ainda está deliberando sobre a questão.
A França e a Alemanha, que possuem indústrias automotivas significativas, concordaram no mês passado que a redução das emissões de CO₂ deveria ser de 90%, sem a necessidade de medidas compensatórias. Elas apresentaram a sugestão a outros membros da UE.
As comissões parlamentares também votaram nesta quarta-feira medidas que rebaixam as metas obrigatórias estabelecidas para a participação futura de veículos com emissão zero nas frotas corporativas, transformando-as em metas indicativas.
(Reportagem de Philip Blenkinsop)
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