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Parentes de presos políticos denunciam voto em ditadura

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BUENOS AIRES — Um dos objetivos do presidente venezuelano Nicolás Maduro nestas eleições para governador é mostrar ao mundo uma imagem que amenize as denúncias de repressão a seus opositores e, essencialmente, derrube a acusação de que seu governo tornou-se uma ditadura. Ciente desta jogada, nas últimas semanas ONGs locais intensificaram suas campanhas a favor da liberação dos 430 presos políticos que existem no país, entre eles ex-prefeitos e figuras importantes dentro da Mesa de Unidade Democrática (MUD).

Para parentes dos presos, a realização desta eleição não confirma a existência de uma democracia, pelo contrário.

— Vamos votar em ditadura — assegurou ao GLOBO Isabella Picón, filha de Roberto Picón, preso há 114 dias numa sede do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin).

Semana passada, Picón, um dos principais coordenadores de estratégia eleitoral da MUD, assinou, com outros presos, uma carta pedindo aos venezuelanos que participem da eleição. A divulgação do documento em meios de comunicação levou o Sebin a castigar Picón e todos os presos envolvidos na iniciativa.

— Como podemos falar em democracia se meu pai foi punido por pedir a seus compatriotas que votem? — disse Isabella.

O castigo foi o total isolamento dos presos.

— Temos de votar porque é nosso direito, mas não podemos esquecer das atrocidades que estão sendo cometidas. Meu pai chegou a ficar dois meses sem ver a luz do sol — enfatizou ela.

A repressão aos opositores do chavismo vem sendo discutida há um mês no âmbito da Organização de Estados Americanos (OEA). Membros de ONGs, partidos políticos e parentes de presos políticos foram convocados pela OEA para participarem de audiências que têm como meta determinar se existem provas para acusar a Venezuela de ter cometido delitos de lesa-Humanidade no Tribunal Penal Internacional (TPI). As investigações são coordenadas pelo advogado argentino Luis Moreno Ocampo, que foi chefe de procuradores do TPI e participou, entre muitos outros, do julgamento da cúpula que comandou a última ditadura argentina (1976-1983).

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