DUBAI —Os países árabes que impuseram um boicote ao Qatar alegando suposto apoio ao terrorismo enviaram a Doha uma lista de 13 exigências, incluindo o fechamento da emissora de televisão Al Jazeera e a redução dos laços com o Irã dentro de dez dias, disse uma autoridade de um dos quatro países. As demandas, que visam encerrar a pior crise no Golfo Pérsico em anos, parecem concebidas para acabar com uma política externa de duas décadas por meio da qual o Qatar procurou subir de categoria e se posicionar na arena global como mediador da paz, muitas vezes em nações muçulmanas.
A posição de Doha, incluindo uma abordagem conciliadora em relação ao Irã e apoio a grupos islâmicos, em particular a Irmandade Muçulmana, tem irritado alguns de seus vizinhos, que veem o islamismo político como uma ameaça ao seu domínio dinástico. Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito e Bahrein acusam o Qatar de financiar o terrorismo, fomentar a instabilidade regional e buscar intimidade com a teocracia revolucionária do Irã, adversário regional dos quatro países. Doha negou as acusações.
A lista — elaborada pelos quatro países que cortaram relações econômicas, diplomáticas e de viagem com Doha em 5 de junho — exige a ruptura de laços com organizações terroristas, ideológicas e sectárias, incluindo Irmandade Muçulmana, Estado Islâmico, Al Qaeda, Hezbollah e Jabhat Fateh al Sham, que era o braço da al-Qaeda na Síria e entregar todos os terroristas assim identificados em seu território.
Segundo a lista, o Qatar também deve anunciar o fechamento de uma base militar turca no Qatar. O ministro da Defesa da Turquia, Fikri Isik, rejeitou a demanda, dizendo que qualquer pedido para que a base seja fechada representaria uma interferência nas relações de Ancara com Doha, insinuando que a Turquia pode reforçar sua presença.
— Fortalecer a base turca seria um passo positivo em termos da segurança do Golfo — disse Isik. — Reavaliar o acordo da base com o Qatar não está em nossa agenda.
As autoridades qataris não responderam de imediato os pedidos de comentário, mas na segunda-feira o ministro das Relações Exteriores, xeique Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, disse que o Qatar não irá negociar com os quatro vizinhos a menos que estes suspendam as medidas contra Doha.

