Enquanto milhares de pessoas tentam sair do território ucraniano para escapar da guerra, outras pessoas insistem em ficar e se ajudar. É o caso do padre brasileiro Lucas Perozzi Jorge, que tem recebido pessoas para se abrigarem na igreja em que trabalha em Kiev. São 35 até este momento, entre paroquianos e moradores da comunidade. Uma família com seis crianças é aguardada.
Algumas pessoas chegam a voltar para casa durante o dia; mas, à noite, todos ficam abrigados, respeitando o toque de recolher. Há também o cuidado de evitar luzes no horário noturno.
Na maior parte do tempo, o grupo fica no subsolo da igreja, que tem uma estrutura mais forte, de metal e concreto. Ali acontecem celebrações e é onde algumas pessoas dormem.
Padre Lucas diz que o local da Dormição da Santíssima Virgem Maria, onde é vigário, parece ser o lugar mais seguro. O lado direito de Kiev, que é dividida pelo rio Dnipro, tem sofrido mais ataques.
O religioso não quer ser visto como herói ou corajoso; ele diz que tem medo e que também já pecou, mas se sente agraciado por Deus. E não vai deixar a Ucrânia.
Padre Lucas é da cidade de Álvares Machado, no interior de São Paulo. Membro do Caminho Neocatecumenal, ele tem 36 anos e está na Ucrânia desde 2004, onde fez o seminário Redentores Mater de Kiev.

