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ONU responsabiliza Síria por ataque com gás sarin que matou 83: ‘Crime de guerra’

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GENEBRA — Investigadores da ONU responsabilizaram pela primeira vez nesta quarta-feira o governo da Síria pelo ataque com gás sarin na cidade de Khan Sheikhun, que deixou dezenas de mortos em 4 de abril, acusando Damasco de crimes de guerra. De acordo com o 14º relatório da Comissão de Investigação da ONU sobre a situação dos direitos humanos na Síria, em 4 de abril, as forças aéreas sírias utilizaram gás sarin e mataram mais de 80 pessoas, a maioria mulheres e crianças. Segundo a organização, o governo sírio usou armas químicas mais de 20 vezes durante a guerra civil no país.

"Forças do governo mantiveram o padrão de usar armas químicas contra civis em áreas dominadas pela oposição. No incidente mais grave, a Força Aérea síria usou sarin em Khan Sheikhoun, Idlib, matando dezenas, a maioria das quais eram mulheres e crianças", disse o relatório.

A Síria anunciou em meados de agosto que cooperaria com os especialistas internacionais para demonstrar que não teve envolvimento no ataque. O governo Assad vem negando repetidamente o uso de armas químicas, e disse que seus ataques em Khan Sheikhoun atingiram um depósito de armas pertencente a forças rebeldes, uma afirmação refutada pelos investigadores da ONU.

"Pelo contrário, todas as provas disponíveis permitem concluir que existem motivos razoáveis para acreditar que as forças aéreas lançaram uma bomba que dispersou gás sarin", afirmam os investigadores, que destacaram que o uso de armas químicas é proibido pelo direito internacional humanitário."A utilização de gás sarin em Khan Sheikhun em 4 de abril pelas forças aéreas sírias constitui crimes de guerra".

A comissão, criada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU em 2011, nunca obteve autorização de Damasco para visitar a Síria e não é a única que analisa o ataque de 4 de abril. Outra comissão conjunta das Nações Unidas e da Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq) também investiga o ocorrido e já havia identificado que o ataque usou gás sarin, um agente nervoso inodoro. Porém, a conclusão obtida pela missão de averiguação da Opaq, não informou quem o realizou.

De acordo com a Comissão de Investigação da ONU, o ataque em Khan Sheikhun matou pelo menos 83 pessoas, incluindo 28 menores de idade e 23 mulheres. Outras fontes indicam pelo menos 87 vítimas fatais, incluindo 30 menores, na ação, que provocou uma grande onda de indignação internacional e o primeiro bombardeio de Washington contra o regime de Damasco. No total, os investigadores da ONU disseram ter documentado 33 ataques com armas químicas até o momento. Vinte e sete foram cometidos por forças do governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, incluindo sete entre 1º de março e 7 de julho. Os autores de seis ataques anteriores ainda não foram identificados, segundo a organização.

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