Por Olivia Le Poidevin
GENEBRA, 15 Set (Reuters) - A recuperação de centenas de corpos dos escombros de prédios destruídos por ataques israelenses em Gaza durante a guerra que começou há quase três anos suscitou novas preocupações sobre possíveis crimes de guerra, afirmou na terça-feira o chefe de direitos humanos da ONU.
Volker Turk disse que os restos mortais do que pareciam ser famílias inteiras estavam sendo desenterrados de locais destruídos durante os ataques israelenses, acrescentando que muitas das vítimas eram mulheres e crianças.
“É de partir o coração que os entes queridos daqueles que estão desaparecidos há tanto tempo só agora estejam vendo seus piores temores se confirmarem”, afirmou em um comunicado.
Ele disse que as descobertas reacenderam as preocupações levantadas em um relatório da ONU de 2024, que concluiu que os ataques israelenses a edifícios residenciais e outros locais civis durante as primeiras semanas da guerra podem ter violado o direito internacional humanitário.
O gabinete do primeiro-ministro israelense e o Ministério das Relações Exteriores não responderam imediatamente a um pedido de comentário. Israel tem rejeitado repetidamente as alegações de que ataca deliberadamente civis e afirma ter agido de acordo com o direito internacional ao combater militantes do Hamas em Gaza.
O ataque de Israel a Gaza — lançado após o ataque mortal do Hamas a Israel em outubro de 2023 — gerou cerca de 61 milhões de toneladas de escombros e detritos que podem levar sete anos para serem removidos, segundo as Nações Unidas.
Um cessar-fogo mediado pelos EUA pôs fim aos combates em grande escala em outubro de 2025, mas não conseguiu interromper os ataques regulares de Israel, e ambos os lados se acusam mutuamente de violar a trégua.
DESTRUIÇÃO GENERALIZADA EM GAZA
A Defesa Civil Palestina afirma que mais de 630 corpos e restos mortais foram recuperados debaixo de prédios destruídos em toda a Faixa de Gaza desde novembro de 2025.
Autoridades palestinas estimam que mais de 8.000 pessoas continuem soterradas nos escombros.
Turk disse temer que os restos mortais recuperados até agora possam ser “apenas a ponta do iceberg”, observando que grande parte de Gaza foi arrasada pelos bombardeios israelenses ou por operações posteriores de demolição e remoção de escombros.
Ele também acusou Israel de continuar a arrasar algumas áreas de Gaza onde suas forças permanecem posicionadas, afirmando que as escavadeiras estavam operando “sem qualquer respeito pelos mortos sob os escombros”.
Os ataques liderados pelo Hamas em 2023 mataram 1.200 pessoas em Israel, enquanto outras 251 foram feitas reféns, segundo dados israelenses.
Mais de 73 mil palestinos foram mortos na campanha militar de Israel, de acordo com as autoridades de saúde de Gaza.
Israel afirma ter se esforçado ao máximo para evitar vítimas civis e que o Hamas usa os civis de Gaza como escudos humanos em áreas densamente povoadas, acusação que o Hamas nega.
(Reportagem adicional de Emma Farge, em Genebra, e Steven Scheer, em Jerusalém)



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