Início Mundo O que a retomada do Afeganistão pelo Talibã representa para as liberdades civis
Mundo

O que a retomada do Afeganistão pelo Talibã representa para as liberdades civis

O que a retomada do Afeganistão pelo Talibã representa para as liberdades civis
O que a retomada do Afeganistão pelo Talibã representa para as liberdades civis

No último dia 15 deste mês de agosto, militantes do Talibã retomaram a capital do Afeganistão, Cabul, quase duas décadas depois de serem expulsos do mesmo local pelas tropas norte-americanas.

Esse grupo atuava no Afeganistão e Paquistão desde o início dos anos de 1990, após a saída das tropas soviéticas. Eles se tornaram conhecidos por manter regras rígidas relacionadas às liberdades civis, ter o financiamento de grupos terroristas e praticar atos violentos.

Em 1994, sob a liderança do Mullah Mohammed Omar, o grupo fortaleceu-se principalmente pelos pashtun, povo que lutou contra o imperialismo britânico, a invasão soviética e atualmente dedica-se a combater a presença ocidental naquela região.

Sob o poder deles, as mulheres têm que usar coberturas da cabeça aos pés, a chamada burca, não podem estudar ou trabalhar e são proibidas de viajar sozinhas, assistir televisão, ouvir músicas e só ter conhecimento de assuntos relacionados ao islamismo.

A dominação deles naquela país mudou pós os atentados de 11 de setembro de 2001, quando mais de 2.700 pessoas foram mortas nos atentados às torres gêmeas e outros.

Ao descobrir que os ataques foram orquestrados pelo líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, que vivia no Afeganistão controlado pelo Talibã, os EUA e as forças aliadas invadiram aquele país, com o objetivo de enfraquecer a do grupo Al Qaeda, que usava o Afeganistão como base de operações para atividades terroristas.

DUAS DÉCADAS

Nessas duas décadas após ser destituído do poder, o Talibã vinha travando embates silenciosos contra o governo estabelecido com apoio dos EUA.

Com o anúncio da saída das tropas norte-americanas do país, acertada ainda na gestão do ex-presidente Donald Trump, os talibãs rapidamente ocuparam a capital e outras cidades, o que levou o presidente afegão Ashraf Ghani a fugir no mesmo.

Agora, após o período mais longo de guerra, os norte-americanos veem a volta do grupo terrorista fortalecido. Os EUA nos últimos 20 anos gastaram mais de um trilhão de dólares no Afeganistão treinando soldados e policiais com equipamentos modernos.

De acordo com o relatório do Conselho de Segurança das Nações, em fevereiro, as forças afegãs somavam 308 mil pessoas, número bem maior do de combatentes armados do Talibã, que variou de 58 mil a 100 mil.

Mesmo assim, o governo foi incapaz de resistir, o que gerou uma reação desconcertante dos EUA, que pode ser traduzida pela declaração do secretário de defesa norte-americano, Lloyd Austin.

“Eles tiveram todas as vantagens, tiveram 20 anos de treinamento pelas nossas forças de coalizão, uma força aérea moderna, bons equipamentos e armas”, afirmou. “Mas você não pode comprar a determinação, nem comprar liderança. E isso é realmente o que estava faltando nesta situação”, concluiu o secretário.

 

 

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?