CABUL — O Ministério do Interior do Afeganistão informou na tarde deste domingo que o ataque realizado por militantes do Talibã ao Hotel Intercontinental, na capital Cabul, terminou com a morte de ao menos 18 pessoas, sendo quatro afegãos e 14 estrangeiros. A invasão da noite de sábado só foi controlada na manhã deste domingo, após forças especiais matarem todos os terroristas. Outras seis pessoas, incluindo três agentes das forças de segurança, ficaram feridas e mais de 150 foram resgatadas sem ferimentos.
O ataque começou por volta das 21h de sábado pelo horário local, quando cinco terroristas armados e portando explosivos conseguiram furar a forte segurança do hotel. Segundo o porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, a ação estava planejada para quinta-feira, mas foi adiada porque um casamento estava sendo realizado no local e o grupo queria evitar vítimas civis.
O Intercontinental é um dos mais luxuosos hotéis do Afeganistão. Construído numa colina isolada, ele tem forte esquema de segurança e é bastante usado por autoridades afegãs e visitantes estrangeiros. Segundo o Ministério do Interior, uma firma privada assumiu a segurança do estabelecimento há três semanas. Autoridades estão investigando como os atacantes conseguiram invadir o edifício.
Segundo o porta-voz do ministério, Najib Danish, as investigações iniciais sugerem que os terroristas entraram no hotel pela fachada nordeste e invadiram a cozinha. Dois dos terroristas foram mortos pelas forças especiais no sexto andar do edifício.
Mumtaz Ahmad, funcionário de uma empresa local de telecomunicações na próvíncia de Helmand, foi um dos sobreviventes do ataque.
— Eu estava indo do meu quarto para a recepção, quando a porta do elevador abriu, eu vi dois terroristas suicidas armados. As pessoas estavam fugindo e os terroristas atiravam contra elas — contou, segundo a Associated Press.
Autoridades de segurança confirmaram que representantes de 34 províncias estavam reunidos no hotel para participarem de uma conferência organizada pelo Ministério de Telecomunicações.
Algumas partes do hotel foram incendiadas e barulhos de explosões podiam ser ouvidos de fora do edifício. Imagens transmitidas ao vivo por emissoras locais mostraram pessoas tentando escapar pelas janelas, descendo por corda improvisadas com lençóis.
O porta-voz da Otan Tom Gresback informou em comunicado que a resposta ao ataque estava sendo conduzida por forças afegãs. Relatos iniciais indicam que nenhum soldado estrangeiro ficou ferido.
O governo do vizinho Paquistão condenou o “ataque terrorista brutal” e pediu maior cooperação entre os dois países contra militantes do grupo radical islâmico. Os dois países trocam acusações constantes de falhar no combate a extremistas ao longo da fronteira.
Forças afegãs encontram dificuldades no combate ao Talibã desde que missões da Otan e dos EUA foram encerradas, no fim de 2014. E nos últimos anos o país tem visto um aumento no número de ações realizadas pelo Estado Islâmico no país.
Na província de Balkh, no norte do país, insurgentes atacaram também no sábado uma casa onde estavam vários membros de uma milícia local pró-governo, matando 18 soldados, informou a polícia local. Entre os mortos estava um líder tribal que serviu como comandante da polícia na região.
E em Farha, na região oeste, a explosão de uma bomba numa estrada matou o vice-chefe da polícia provincial e feriu outros três policiais. Os dois ataques também foram reivindicados pelo Talibã.
E em Herat, a explosão de uma bomba atingiu um veículo que transportava 13 civis, matando 12 deles. Nenhum grupo reivindicou a autoria do ataque.

